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	<title>Prosa em Verso &#187; Diego Seixas &#8211; Sobre mídia e jornalismo</title>
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		<title>Topa tudo por dinheiro</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 17:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
A madrugada nos canais abertos, em sua maioria, é destinada para a evangelização do telespectador. Igrejas evangélicas compram horários para exibirem seus programas. Quem está com insônia só pode assistir a duas emissoras comerciais que não vendem horário ou assistem as TVs educativas que encerram a transmissão por volta das 2h da manhã.
Não são todas as pessoas que gostam de assistir programas evangélicos e não têm dinheiro para pagar uma TV a cabo. As emissoras comerciais querem o lucro e ele encontra-se na ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank"><strong>Diego Seixas</strong></a> em <a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank"><strong>Sobre mídia e jornalismo</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;">A madrugada nos canais abertos, em sua maioria, é destinada para a evangelização do telespectador. Igrejas evangélicas compram horários para exibirem seus programas. Quem está com insônia só pode assistir a duas emissoras comerciais que não vendem horário ou assistem as TVs educativas que encerram a transmissão por volta das 2h da manhã.</p>
<p style="text-align: justify;">Não são todas as pessoas que gostam de assistir programas evangélicos e não têm dinheiro para pagar uma TV a cabo. As emissoras comerciais querem o lucro e ele encontra-se na venda dos horários para as igrejas evangélicas. O horário diverge em todos os canais. Há emissoras que alugam a madrugada e parte da manhã. Outras que vendem praticamente todo o horário para as igrejas evangélicas deixando espaço para a produção do próprio canal destinado ao jornalismo. É o caso da CNT e do Canal 21 de SP. As emissoras exibem jornais próprios com postura independente a posição da Igreja.</p>
<p style="text-align: justify;">O grupo Bandeirantes de comunicação tem duas emissoras abertas a TV band e o Canal 21, ambos com sede em SP. A TV band vende o horário cinco horas diárias na madrugada para a Igreja Mundial do Poder de Deus. Enquanto o canal 21, antigo Playtv, vende todo o seu horário para a mesma igreja.</p>
<p style="text-align: justify;">A rede CNT de televisão, com sede em Curitiba-PR, aluga praticamente todo o horário com programas evangélicos. Em sua grade, são aproximadamente catorze horas entre programas evangélicos e televendas. Essa emissora enfrenta uma crise financeira desde sua existência. Ela foi vendida para o grupo proprietário do Jornal do Brasil e virou TV JB, mas voltou a ser CNT. Sua venda e o que ocorreu não foram esclarecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">A curiosidade fica por conta da Rede TV!, a emissora aluga os horários entre igrejas evangélicas e programas independentes. É uma emissora distinta com programação de qualidade duvidosa, a emissora tem programas próprios,.mas horários divididos entre as tardes e as madrugas são alugados visando o lucro. Os finais de semana na Rede TV! são destinados a programação independente variada.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é errado alugar horários para igrejas ou para programas independentes. As emissoras querem lucro para pagar suas despesas e por isso a venda dos horários. Mas o que ocorre é um exagero. Administrar um canal de televisão é difícil. É bom lembrar que duas redes de televisão faliram por falta de recursos financeiros e administrativos. O problema é que as TVs estão exagerando na venda desses canais.</p>
<p style="text-align: justify;">Algumas igrejas evangélicas têm seus canais de comunicação em sinal aberto. Elas transmitem a sua própria programação voltada ao público evangélico. Os programas têm foco para a religião evangélica com orações e pregações. Há espaço para o jornalismo, algumas têm equipe própria voltada para trazer notícias de interesse do público. Não apresentam matérias de prestação de serviço, mas têm pautas políticas sempre voltadas ao público deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Os canais existem e não precisam alugar o espaço de outros canais. Mas as emissoras querem lucro e aceitam vender os horários em troca de um valor alto. É por isso que no final de cada programa evangélico, alguns integrantes da igreja pedem ajuda financeira para a manutenção do programa.</p>
<p style="text-align: justify;">O ministério das Comunicações é o órgão responsável pela gestão das emissoras de televisão. A sua assessoria não tem posicionamento a respeito do que a ministra pensa sobre a venda ou aluguel dos horários. Uma solução precisa ser tomada sendo que as concessões das TVs abertas pertencem ao governo federal.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>TV paga</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mas o aluguel dos horários não é um problema somente das TVs abertas. A TV a cabo é um luxo para poucos. Através dela, o assinante pode ver de filmes, séries a notícias internacionais. Mas a maioria dos assinantes reclama do excesso de programas de televenda da TV paga.  Diariamente onze canais na TV paga exibem simultaneamente programas de televendas: E!, People+Arts, Discovery Channel, Discovery Home &amp; Heath, Universal, FX, SciFI, A&amp;E Mundo, Animal Planet, History Channel e MGM.</p>
<p style="text-align: justify;">A maratona de ofertas revolucionários aparelhos de ginástica, fornos de micro-ondas, pranchas para chapinha, trituradores de alimentos a pressurizadores para lavar calçadas começa às 7h em alguns canais e às 8h em outros. Dura de 30 minutos até três horas, dependendo do dia e do canal.</p>
<p style="text-align: justify;">Os canais têm uma explicação. Dizem que precisam apelar a grandes blocos de televendas porque a base de assinantes no Brasil ainda é pequena, insuficiente para cobrir suas necessidades de receitas.</p>
<p style="text-align: justify;">O horário pago não é somente pela manhã, mas existe de madrugada. Em alguns canais, a empresa compra os horários para vender os produtos citados. Nos outros canais ocorre a venda de joias por preços divididos em seis vezes sem juro.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso dos produtos revolucionários há pessoas que compram e essa empresa fatura mais de um bilhão de reais anualmente. Os canais não respondem quanto faturam com a compra de horários, mas o assinante não gosta de ligar a TV para assistir comercial.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O espet&#225;culo Nardoni</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 14:58:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
Os jornais de terça-feira (23/3) reproduzem o que foi o primeiro dia do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatobá. Eles são personagens centrais no caso do assassinato da menina Isabella, que foi atirada do sexto andar de um edifício em São Paulo, no dia 29 de março de 2008.
A imprensa escrita não tem como competir em emoções com o rádio e a televisão. Também tem menos recursos para reproduzir o escândalo, o mau gosto e a exploração do emocionalismo ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank">Diego Seixas</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank">Sobre mídia e jornalismo</a></strong></em></p>
<p align="justify">Os jornais de terça-feira (23/3) reproduzem o que foi o primeiro dia do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatobá. Eles são personagens centrais no caso do assassinato da menina Isabella, que foi atirada do sexto andar de um edifício em São Paulo, no dia 29 de março de 2008.</p>
<p align="justify">A imprensa escrita não tem como competir em emoções com o rádio e a televisão. Também tem menos recursos para reproduzir o escândalo, o mau gosto e a exploração do emocionalismo que marcaram praticamente todo o dia em que se instalou o júri no Fórum de Santana, zona norte da capital paulista. </p>
<p align="justify">Na falta de informação de verdade, âncoras, apresentadores e repórteres de rádio e televisão disputaram até vendedor de amendoim. Palpiteiros de todo tipo pontificaram no noticiário em busca do seu quinhão de celebridade.</p>
<p align="justify">O noticiário é homogeneamente dramático e, nos jornais, a tentativa de dar alguma objetividade à cobertura resvala a todo momento para o contexto inevitável: uma criança é assassinada e seu pai é um dos principais suspeitos. No mais, as opiniões de juristas sobre a validade ou não dos tribunais de júri abrem a possibilidade de algum debate mais proveitoso sobre a aplicação da Justiça no Brasil.</p>
<p align="justify">Os especialistas contrários ao instituto do júri argumentam que o cidadão comum é muito mais influenciável pela repercussão social de um evento a ser julgado do que os juízes togados, e que os júris podem ser manipulados antes de entrarem em confinamento para suas deliberações, sendo induzidos a prejulgamento pelo barulho feito pela imprensa.</p>
<p align="justify">Os especialistas favoráveis ao tribunal do júri observam que essa instituição ajuda a sociedade a entender a necessidade de Justiça e de comunicar os valores da ordem jurídica aos cidadãos comuns.</p>
<p align="justify">Se depender dos programas populares da televisão, difícil concordar. Se for levado em conta o esforço dos jornais, sim, alguma coisa se pode aprender da transformação do julgamento em espetáculo público. </p>
<p align="justify">De qualquer maneira, seja qual for o veredicto, não haverá como assegurar que a Justiça terá sido feita. A invasão do local do acontecimento por policiais sem nenhuma coordenação, a demora na lacração do apartamento, a ação indiscriminada de repórteres e populares nas redondezas podem ter prejudicado as provas periciais.</p>
<p align="justify">E no meio das emoções inevitáveis provocadas pelo assassinato de uma criança, a Justiça dependerá principalmente dessas evidências.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Quinze minutos de fama</title>
		<link>http://prosaemverso.com.br/index.php/2010/03/18/quinze-minutos-de-fama/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 14:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Cristina Mortágua beija filho em ensaio sensual.
Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
 A ex-modelo Cristina Mortágua apareceu na mídia ao fazer um ensaio sensual para o jornal Extra do Rio de Janeiro. No vídeo, mãe e filho aparecem se beijando igual a um casal de namorados além de ambos estarem sem camisas. Foi ousado pelo fato de serem mãe e filho.
O problema ficou com o rapaz que é menor com quinze anos de idade. Isso causou polêmica e por conta disso a Vara de Infância e da Juventude ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong>Cristina Mortágua beija filho em ensaio sensual.</strong></p>
<p align="right"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank">Diego Seixas</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank">Sobre mídia e jornalismo</a></strong></em></p>
<p align="justify"><a href="http://prosaemverso.com.br/wp-content/uploads/2010/03/mortaguafilho.jpg"><img style="display: inline; margin-left: 0px; margin-right: 0px" title="mortagua-filho" alt="mortagua-filho" align="left" src="http://prosaemverso.com.br/wp-content/uploads/2010/03/mortaguafilho_thumb.jpg" width="243" height="300" /></a> A ex-modelo Cristina Mortágua apareceu na mídia ao fazer um ensaio sensual para o jornal Extra do Rio de Janeiro. No vídeo, mãe e filho aparecem se beijando igual a um casal de namorados além de ambos estarem sem camisas. Foi ousado pelo fato de serem mãe e filho.</p>
<p align="justify">O problema ficou com o rapaz que é menor com quinze anos de idade. Isso causou polêmica e por conta disso a Vara de Infância e da Juventude do Rio de Janeiro enviou ordem judicial ao jornal Extra determinando a retirada de circulação a foto em que a modelo Cristina Mortágua aparece ao lado do filho.</p>
<p align="justify">A ex-modelo resolveu ganhar mídia e errou ao escolher fazer o ensaio sensual ao lado de um menor de idade. Ao jornal Extra, Mortágua afirmou:</p>
<p align="justify">“Estou sem palavras. A que ponto nós chegamos? Por que a demonstração do amor de uma mãe por um filho pode causar tanta polêmica? Se ele fosse um jiu-jiteiro que desse surra em empregada doméstica por aí, ou se chegasse bêbado em casa, ou se drogasse&#8230; Mas ele é um menino de ouro. E eu sou uma mãe que há 15 anos cuido sozinha dele e sei das minhas responsabilidades. Façam-me o favor”.</p>
<p align="justify">A respeito de ensaios sensuais ou eróticos protagonizados entre familiares não é a primeira vez que isso acontece. A revista Playboy publicou ensaios entre mãe e filha, Helô Pinheiro e Ticiane Pinheiro, irmãs gêmeas e até irmãs trigêmeas. Mas nesse caso foi diferente todas as protagonistas são maiores de idade e aceitaram fazer o ensaio em troca de um cachê.</p>
<p align="justify">O problema não é pai ou mãe ficar ou posar sem roupa ao lado de filhos. O problema foi atitude da modelo ao procurar mídia para aparecer e dar ao filho afirmando que ele pretende seguir a carreira de modelo.</p>
<p align="justify">Cristina Mortágua fracassou ao tentar seus quinze minutos de fama. O jornal Extra errou ao publicar as fotos.</p>
<p align="justify">O polêmico vídeo está aqui com a seguinte observação:</p>
<p align="justify"><strong><em>Segundo a sinalização da comunidade de usuários do YouTube, este vídeo ou grupo pode ter conteúdo impróprio para alguns usuários.&#160; Para visualizar este vídeo ou grupo, é necessário que se faça login ou inscreva-se para confirmar que você tem 18 anos ou mais, aí clique no link abaixo:</em></strong></p>
<p align="center"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=mp4tjYvltbM"><strong>http://www.youtube.com/watch?v=mp4tjYvltbM</strong></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A palavra de Marco Aurélio Garcia</title>
		<link>http://prosaemverso.com.br/index.php/2010/02/25/a-palavra-de-marco-aurelio-garcia/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 15:21:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
A Folha de S. Paulo do dia 18 de fevereiro resolveu entrar na discussão iniciada por Marco Aurélio Garcia, o assessor especial de Lula-lá para assuntos internacionais, a respeito da &#8220;dominação imperialista&#8221; das TVs a cabo. Em uma primeira leitura, nada de errado: o jornal corretamente se posiciona contra as loucuras ditas pelo professor decidiu desta vez ir para o lado bom da força. Se o debate fosse travado numa mesa de botequim, regado a cerveja, seria mais profundo, veraz e produtivo. Em ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank"><strong>Diego Seixas</strong></a> em <a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank"><strong>Sobre mídia e jornalismo</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;">A <em>Folha de S. Paulo</em> do dia 18 de fevereiro resolveu entrar na discussão iniciada por Marco Aurélio Garcia, o assessor especial de Lula-lá para assuntos internacionais, a respeito da &#8220;dominação imperialista&#8221; das TVs a cabo. Em uma primeira leitura, nada de errado: o jornal corretamente se posiciona contra as loucuras ditas pelo professor decidiu desta vez ir para o lado bom da força. Se o debate fosse travado numa mesa de botequim, regado a cerveja, seria mais profundo, veraz e produtivo. Em letra de forma virou samba do crioulo doido.</p>
<p style="text-align: justify;">As opiniões de Garcia foram pinçadas de suas intervenções num debate sobre a política de relações internacionais do PT realizado em Brasília, no sábado (6/2), às vésperas do congresso nacional do partido, ao qual também compareceram o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário de Assuntos Estratégicos, e o sociólogo Emir Sader. Mas o jornalismo da Era Kindle dispensa este tipo de referência: alguém disse que Garcia falou, está falado.</p>
<p style="text-align: justify;">Os comunicadores do PT ou palacianos também não se deram ao trabalho de registrar no site do partido ou do governo o que foi efetivamente dito pelo assessor presidencial e assim evitar distorções. A turma do aparelho também merece uma folga.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste vácuo, já na edição de terça-feira (16/02) da <em>Folha</em> entra em operação a infernal máquina da repercussão: uma repórter perguntou à ministra Dilma Rousseff se concordava com a opinião do professor Garcia segundo a qual existe hoje &#8220;um retraimento do pensamento crítico&#8221; com um avanço da &#8220;subintelectualidade de direita&#8221;. Dilma concordou, óbvio. Paulo Francis aplaudiria de pé.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor exagerou, foi simplista e sabe disso: o jornalismo da Fox é nauseante, o da CNN é infantil, algumas séries são realmente estúpidas, mas outras são críticas e hilariantes. A programação dos canais de filmes em muitos casos equivale a de um cineclube. Os canais de documentários são de excelente nível, deveriam ser mostrados em nossas escolas. A baixaria televisiva americana está na TV aberta, sobretudo nos filmes.</p>
<p style="text-align: justify;">O assessor presidencial não poderia referir-se a eles porque também são exibidos em redes amigas como a Record, a Bandeirantes e o SBT. Ou seja, o professor Marco Aurélio Garcia não soube distinguir a programação da televisão a cabo americana por não conhecer.</p>
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		<title>Verdade inconveniente</title>
		<link>http://prosaemverso.com.br/index.php/2010/02/18/verdade-inconveniente/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 21:34:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
Nunca antes na história deste país, o Brasil teve um governador preso durante o exercício do mandato. José Roberto Arruda foi preso no dia 11-02-2010 a por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Junto com ele foram preso mais quatro pessoas.
Pela segunda vez em sua curta carreira política, o ainda governador José Roberto Arruda é protagonista de um grave escândalo político. Desta vez envolvendo corrupção e com evidências amparadas em imagens que, se “não falam por si” – como afirmou o presidente Lula, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank"><strong>Diego Seixas</strong></a> em <a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank"><strong>Sobre mídia e jornalismo</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Nunca antes na história deste país, o Brasil teve um governador preso durante o exercício do mandato. José Roberto Arruda foi preso no dia 11-02-2010 a por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Junto com ele foram preso mais quatro pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela segunda vez em sua curta carreira política, o ainda governador José Roberto Arruda é protagonista de um grave escândalo político. Desta vez envolvendo corrupção e com evidências amparadas em imagens que, se “não falam por si” – como afirmou o presidente Lula, querendo, uma vez mais, evitar qualquer condenação a priori e enfatizar a importância do trâmite legal –, são eloquentes para justificar uma condenação na Justiça.</p>
<p style="text-align: justify;">A mídia – nacional e local – não acompanhou os desdobramentos do pedido de providências judiciais encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) à Procuradoria Geral de República (PGR) no dia 9 de fevereiro, terça-feira. O pedido incluía o afastamento de Arruda da chefia do GDF e sua prisão preventiva. Na quinta-feira (11/2), dia da prisão, todos parecem ter sido pegos de surpresa, pois não foram capazes de antecipar nem a ação do PGR e muito menos a rápida decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).</p>
<p style="text-align: justify;">As notícias publicadas pelos jornais locais impressos estão favoráveis ao governador preso. Os jornais querem vê-lo solto para a garantia das verbas locais de publicidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A rapidez com que a informação de que o STJ estava votando o pedido de prisão de Arruda se espalhou pelo Distrito Federal, na tarde de quinta-feira (11), é mais uma comprovação da imensa capilaridade da internet. Celulares, e-mails, twitters e blogs estiveram quase sempre à frente das agências de notícias tradicionais. Destaque-se o trabalho editorial da rádio CBN que desde o primeiro momento colocou a sua equipe de repórteres na rua acompanhado todo o processo do trabalho. O ato falho ficou por não acompanhar a decisão da Procuradoria Geral da República.</p>
<p style="text-align: justify;">A curiosidade na cobertura da mídia fica por conta dos comentários dos leitores de blog e site dos jornais de Brasília com o termo Barra Pesada. Barra Pesada é o nome de um antigo programa policial apresentado, em horário local pago, por Geraldo Naves. O programa mostrava os homicídios na TV sem censura ou disfarce com o mosaico. Os comentários dirigidos a Geraldo Naves sempre tinham barra pesada.</p>
<p style="text-align: justify;">Geraldo Naves ficou famoso na capital federal pelo bordão “O que é barra pesada para você, meu amigo?”. Naves virou suplente de deputado distrital com o intuito de ajudar a população candanga, mas não ajudou e foi preso por corromper o trabalho da Justiça. Agora Naves está preso, temporariamente, no presídio da Papuda. Lugar que ele frenquentava como jornalista. Agora está como morador e todos perguntam: “Geraldo Naves, o que barra pesada para você, meu amigo?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a evolução da tecnologia, a notícia evoluiu, mas os furos não passarão despercebidos. O trabalho das rádios é notável porque colocaram todos os repórteres na rua. O estúdio ficou apenas com o gerente de jornalismo coordenando a equipe e passando informações aos ouvintes.</p>
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		<title>Rivalidade solidária</title>
		<link>http://prosaemverso.com.br/index.php/2010/02/11/rivalidade-solidaria/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 20:31:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
A TV Globo e a TV Record agiram com espírito elevado diante da lamentável tragédia que subtraiu a vida do piloto Rafael Delgado Sobrinho e levou ao chão o helicóptero que ainda tentou um desesperado pouso no Jockey Clube de São Paulo. O cinegrafista Alexandre da Silva Moura, conhecido como Borracha, ainda luta para sobreviver ao forte impacto no chão.
Inicialmente o piloto do helicóptero do globocop fez o que pode para orientar o colega a escapar do que se tornou inevitável. O abatimento ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank">Diego Seixas</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank">Sobre mídia e jornalismo</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">A TV Globo e a TV Record agiram com espírito elevado diante da lamentável tragédia que subtraiu a vida do piloto Rafael Delgado Sobrinho e levou ao chão o helicóptero que ainda tentou um desesperado pouso no Jockey Clube de São Paulo. O cinegrafista Alexandre da Silva Moura, conhecido como Borracha, ainda luta para sobreviver ao forte impacto no chão.</p>
<p style="text-align: justify;">Inicialmente o piloto do helicóptero do globocop fez o que pode para orientar o colega a escapar do que se tornou inevitável. O abatimento emocional da repórter que chegou a testemunhar a queda deu o tom do desespero.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seguida, a direção de Jornalismo da TV Globo fez questão de não transformar o acidente numa cobertura sensacionalista. Ela deu ao caso um tratamento sério e respeitoso.</p>
<p style="text-align: justify;">A todos interessava que o piloto e o repórter cinematográfico escapassem com vida. A atitude dos profissionais da TV Globo foi de comovente consideração.</p>
<p style="text-align: justify;">Em retribuição, a Rede Record agradeceu no ar ajuda dispensada pela tripulação do helicóptero da TV Globo, que pousou rapidamente para ajudar no socorro às vítimas. O objetivo era evitar uma explosão, o que maximizaria o drama dos ocupantes da aeronave.</p>
<p style="text-align: justify;">O comportamento de ambas emissoras qualificam a relação que deve existir sempre. Gente em primeiro lugar. Concorrência é legítima e deve existir, ninguém é contra. Mas, acima de tudo, dentro das regras e com respeito mútuo.</p>
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		<title>A plataforma custa caro</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 20:34:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
Muito se falou sobre o lançamento do tablet da Apple na semana passada. O iPad foi comparado a um iPhone gigante, teve seu nome ridicularizado (pad, em inglês, além de significar &#8220;bloco&#8221; também é sinônimo de absorvente feminino) e foi criticado pela falta de artefatos como telefone, câmera e o útil sistema multitarefas. Assim como no iPhone, no iPad não será possível fazer duas coisas ao mesmo tempo – como, por exemplo, ler e-mails e ouvir música. Steve Jobs, o fundador da Apple, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank">Diego Seixas</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank">Sobre mídia e jornalismo</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Muito se falou sobre o lançamento do tablet da Apple na semana passada. O iPad foi comparado a um iPhone gigante, teve seu nome ridicularizado (pad, em inglês, além de significar &#8220;bloco&#8221; também é sinônimo de absorvente feminino) e foi criticado pela falta de artefatos como telefone, câmera e o útil sistema multitarefas. Assim como no iPhone, no iPad não será possível fazer duas coisas ao mesmo tempo – como, por exemplo, ler e-mails e ouvir música. Steve Jobs, o fundador da Apple, apresentou o iPad como o rompimento da fronteira entre o laptop e o smartphone.</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, ele representa uma ameaça de peso para os leitores eletrônicos, como o Kindle, da Amazon, e o Nook, da Barnes &amp; Noble. A Amazon impunha o preço de 9,99 dólares por e-book e ficava com 70% da receita. Sabe-se que a Apple procurou editoras oferecendo liberdade para a marcação de preços dos livros e 70% da receita – para elas. Curiosamente, a Amazon, pouco antes do lançamento do iPad, mudou as regras de preços em alguns livros.</p>
<p style="text-align: justify;">Já a ideia de que o novo tablet poderia ajudar a salvar os jornais pareceu mais distante agora que o iPad se materializou. Seria ele realmente relevante para a indústria da mídia impressa, ou apenas mais um brinquedo eletrônico?, questionou artigo publicado no diário britânico Guardian. O jornalista David Carr, do New York Times, discorda dos críticos que dizem que Jobs lançou apenas um iPhone que não cabe no bolso.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a falta de apetrechos, Carr afirma que se trata de um aparelho para o consumo de mídia, e não para a criação de mídia. Para ele, o iPad só irá funcionar em toda a sua glória – pelo menos em termos jornalísticos – se as empresas de mídia fizerem por onde.</p>
<p style="text-align: justify;">O New York Times já criou um aplicativo para o aparelho, apresentado durante seu lançamento. Nele, o leitor pode adequar o tamanho do texto a seu gosto, ampliar ou diminuir as imagens e assistir a vídeos publicados junto às matérias. No Kindle, a assinatura mensal do NYTimes custa 13,99 dólares.</p>
<p style="text-align: justify;">E, assim como esquenta cada vez mais a discussão sobre o pagamento de conteúdo jornalístico na internet, deve surgir agora um novo debate sobre o melhor modelo de negócios para os aplicativos de jornais e revistas no iPad. Será preciso definir também a relação entre estes veículos, os leitores e a Apple. E, finalmente, as editoras terão que contornar um empecilho básico: o aparelho não roda conteúdo em Flash, software muito usado para vídeos, animações e dispositivos interativos na web.</p>
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		<title>Mídia jornalística sem resultado</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 20:32:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
O presidente venezuelano Hugo Chávez quer controlar a sociedade venezuelana por meio dos meios de comunicação. A suspensão das emissões da RCTV e de outros cinco canais de TV a cabo, por omitirem a íntegra do seu discurso do sábado (23/1), revela uma estratégia escancarada de coerção.
A China é mais sutil: exerce um policiamento informativo ainda mais drástico através das intrincadas ferramentas da internet, hoje acessada por 360 milhões de usuários virtualmente prisioneiros da censura política. A filtragem das informações é silenciosa: não ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank">Diego Seixas</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank">Sobre mídia e jornalismo</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">O presidente venezuelano Hugo Chávez quer controlar a sociedade venezuelana por meio dos meios de comunicação. A suspensão das emissões da RCTV e de outros cinco canais de TV a cabo, por omitirem a íntegra do seu discurso do sábado (23/1), revela uma estratégia escancarada de coerção.</p>
<p style="text-align: justify;">A China é mais sutil: exerce um policiamento informativo ainda mais drástico através das intrincadas ferramentas da internet, hoje acessada por 360 milhões de usuários virtualmente prisioneiros da censura política. A filtragem das informações é silenciosa: não se faz apenas por intermédio do buscador Google, mas também através do controle do que os internautas chineses podem emitir.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso Big Brother (George Orwell, no 1984) é generoso, paternalista, ameno e difuso: não é estata, nem é privado, atende simultaneamente aos interesses de ambos – é misto. Quando foge da exposição prolongada das tragédias está apostando numa temporada de euforia das massas e antecipando-se ao interesse recôndito de um governo altamente popular, prestes a ser avaliado nas urnas. Ao mesmo tempo, serve aos seus próprios interesses como arauto e beneficiário da anunciada prosperidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ninguém emitiu decretos ou diretrizes para tirar do noticiário as tragédias de Angra do Reis e de Ilha Grande – foi a própria mídia, acostumada a conter-se em coberturas fragmentadas, que mostrou sua incapacidade de mergulhar em empreitadas de longa duração. A manutenção do dilúvio no Sudeste do país ao longo de mais de um mês, ao invés de reforçar e adensar a cobertura, tornou-a aguada, episódica, sazonal.</p>
<p style="text-align: justify;">O Carnaval está aí, as campanhas publicitárias das cervejeiras exigem conteúdos descontraídos, prazerosos e descartáveis. Gente deprimida por tragédias não consome, não gasta, recolhe-se. Melhor sentar no banco dos réus os fenômenos climáticos do que os administradores preocupados apenas com os próximos mandatos; ou empreiteiras irresponsáveis ou engenheiros incompetentes, incapazes de prever situações-limite.</p>
<p style="text-align: justify;">Menos de uma semana depois da catástrofe do Haiti, o Jornal Nacional e a Central Globo de Jornalismo optaram por compactar, burocratizar e neutralizar uma cobertura iniciada com grande dramaticidade e humanidade. Na véspera de completar duas semanas (segunda, 25/1), enquanto a mídia internacional não arrefece e mantém a intensidade inicial, nossa maior rede aberta de TV, e uma das mais importantes do mundo, leva a uma parte substancial da população brasileira um vigésimo do tempo e da atenção ao Haiti que a sua co-irmã, a Globo News (edição das 22h) oferece à restrita e qualificada audiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Seria injusto circunscrever essas avaliações à Venus Platinada: na segunda-feira (25/1) os três jornais impressos nacionais recusaram-se a destacar em suas capas o vasto noticiário sobre o Haiti contido nas páginas internas. Entende-se: no fim do feriadão na maior cidade do país melhor deixar as primeiras páginas ocupadas por amenidades. A minoria acostumada a ler o jornal inteiro que vá sofrer e chatear-se sozinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Habituada aos longos períodos de autocensura e autocontrole (no Estado Novo e depois do regime militar), nossa mídia encontrou uma maneira de ajustar-se aos interesses dos ocupantes do poder. Às vezes acontece um curto-circuito – como os anúncios de conferências públicas para discutir questões sensíveis –, então todos se estranham, mas logo tudo se ajusta.</p>
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		<title>Terremoto, celebridade e solidariedade</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 20:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diego Seixas - Sobre mídia e jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
Enquanto a consciência de que somos cidadãos do mundo não vem, resta aplaudir o bom exemplo que vem de fora. Refiro-me ao terremoto que feriu de morte o Haiti na terça-feira, 12 de janeiro. Eram 16h 30min em Porto Príncipe, capital haitiana, e o programa A Voz do Brasil estava na metade quando o futuro foi arrancado debaixo dos pés de cerca de 100 mil pessoas. Chegando aos 7 graus na escala Richter, o epicentro dos tremores que teria sido a apenas 10 ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank">Diego Seixas</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank">Sobre mídia e jornalismo</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto a consciência de que somos cidadãos do mundo não vem, resta aplaudir o bom exemplo que vem de fora. Refiro-me ao terremoto que feriu de morte o Haiti na terça-feira, 12 de janeiro. Eram 16h 30min em Porto Príncipe, capital haitiana, e o programa A Voz do Brasil estava na metade quando o futuro foi arrancado debaixo dos pés de cerca de 100 mil pessoas. Chegando aos 7 graus na escala Richter, o epicentro dos tremores que teria sido a apenas 10 quilômetros de profundidade foi localizado a cerca de 22 quilômetros da capital.</p>
<p style="text-align: justify;">O palácio presidencial, vários hospitais, dezenas de prédios e até a catedral de Porto Príncipe vieram abaixo. O céu encobriu por completo as nuvens e tudo, em segundos, eram apenas cinzas e fumaça. Caos e devastação aliaram-se à miséria e à violência com que se debatia o país mais pobre do Ocidente. As cenas da destruição podiam eclipsar os efeitos visuais aplicados ao último exemplar do cinema catástrofe, 2012. Nas telas observávamos a engenhosidade dos que sabem das manhas e artimanhas das novas tecnologias, mas na vida os plantões jornalísticos, telejornais e revistas eletrônicas de variedade trouxeram para dentro de nossas retinas dores e angústias extremadas, imagens que capturavam o próprio fio da vida se esvaindo por entre escombros, vidas soterradas por toneladas de cimento e aço.</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, o foco voltou-se imediatamente para a dor verde-amarela. Dezoito militares brasileiros tiveram suas vidas interrompidas no desempenho da nobre missão a eles conferida pelas Nações Unidas em 2004: manter a ordem e a segurança no Haiti. E dois civis ilustres: a médica sanitarista Zilda Arns e o diplomata Luiz Carlos da Costa, o número 2 da missão da ONU no Haiti.</p>
<p style="text-align: justify;">Zilda Arns tinha encerrado uma palestra em uma igreja em Porto Príncipe quando o tremor começou e morreu ao ser atingida na cabeça por uma laje. Luiz Carlos da Costa, que tinha 60 anos, dedicou sua vida à causa da paz, ingressando no sistema Nações Unidas contando apenas 21 anos de idade, e morreu na sede da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), em Porto Príncipe, conhecida como Hotel Christopher, que ficou completamente destruído pelo tremor.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas duas figuras simbolizam muito do Brasil que queremos ter. Zilda Arns, ao fundar a Pastoral da Criança, entidade da igreja católica, em princípios dos anos de 1980, criou e difundiu métodos simples que conseguiram estancar enormemente a mortalidade infantil e suas ações pioneiras correram mundo. A verdade é que o soro caseiro é o outro nome da nossa Zilda Arns. O diplomata Luiz Carlos guarda imensas semelhanças com seu colega de ofício e de trágico destino Sérgio Vieira de Mello, morto em atentado no Iraque em 19 de agosto de 2003. Foram estes os dois brasileiros que atingiram os postos mais elevados na administração das Nações Unidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Algo que chamou atenção foi a pronta resposta das celebridades à urgência do momento. Infelizmente não tenho conhecimento pela imprensa de ações louváveis de celebridades brasileiras. Vejamos alguns exemplos luminosos desses que frequentam as páginas de jornais e revistas, que aparecem constantemente em programas de entrevistas e de variedades tanto em emissoras de televisão quanto de rádio; como eles assumem uma dimensão de solidariedade compatível com sua &#8220;estatura midiática&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Oprah Winfrey está apoiando vigorosamente a campanha da Cruz Vermelha Internacional em favor do Haiti, incentivando milhões de seus espectadores a fazerem doações à entidade. A primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama anunciou que 48 horas após o terremoto em Porto Príncipe havia já levantado 5,9 milhões de dólares em apoio também à Cruz Vermelha. Angelina Jolie e Brad Pitt anunciaram que sua fundação estava doando de imediato 1 milhão de dólares para a organização internacional Médicos Sem Fronteiras aplicar em ações de socorro à população haitiana.</p>
<p style="text-align: justify;">Nicole Kidman e Maggie Gyllenhaal, durante a 67ª edição do Globo de Ouro, não titubearam em aproveitar a noite de gala para pedir donativos para o povo do Haiti, usando inclusive um laço azul, vermelho e amarelo como símbolo de apoio ao devastado país. O cantor espanhol Alejandro Sanz, a partir de seu blog pessoal, vem estimulando os fãs a apoiarem economicamente o Haiti e dedicou aos haitianos seu sucesso &#8220;Tu no tienes alma&#8221;. Outros artistas foram a campo arrecadar contribuições por meio de telefones celulares – é o caso do músico de hip-hop haitiano Wyclef Jean e o ator Ben Stiller, que vem reunindo donativos para a organização não-governamental Save the Children.</p>
<p style="text-align: justify;">Os desportistas também não ficaram de braços cruzados: o lendário ciclista Lance Armstrong, por meio de sua fundação LiveStrong, se comprometeu a entregar 250 mil dólares a Médicos Sem Fronteiras. Uma constelação de estrelas de Hollywood apresentará no próximo 22 de janeiro uma espécie de telemaratona nacional através do canal MTV que se chamará &#8220;Esperança para o Haiti&#8221;. Detalhe: o programa será exibido em horário nobre (20h) e terá como anfitrião George Clooney, a partir de Los Angeles, enquanto o rapper Wyclef Jean comandará em Nova York e o apresentador da CNN, Anderson Cooper, continuará a apresentação diretamente de Porto Príncipe.</p>
<p style="text-align: justify;">O twitter disse a que veio: além de inflar o ego de celebridades que disputam popularidade pelo termômetro do número de seguidores mostrou ser uma rede social bem desenhada para o exercício da solidariedade e da bondade humanas. O casal de atores Demi Moore e Ashton Kutcher pediu às pessoas que façam doações ao Unicef, assim como Nicole Ritchie, a filha do cantor Lionel Ritchie. Apelos a doações também foram lançados pelo rei do hip-hop Sean Combs, mais conhecido como P. Diddy, pela atriz Jessica Alba, pelo rapper e ator LL Cool J e pelo grupo Artists for Peace and Justice, que tem entre seus integrantes o diretor de cinema Oliver Stone e os atores Josh Brolin, James Franco e Charlize Theron. &#8220;Não posso insistir o suficiente sobre a catástrofe humana que representa este terremoto&#8221;, declarou o ex-vocalista da banda de rap Fugees, conclamando as pessoas a &#8220;agir agora&#8221;.</p>
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		<title>Um governo polêmico</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 01:32:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
O conflito surgido com as medidas que consideram os Direitos Humanos em sentido ampliado, expõe concepções divergentes de democracia, ultrapassando o tema da memória, verdade e justiça da ditadura. Seguindo seu próprio padrão de alianças não podia dar em outra coisa.
Percebem-se duas formas de materialização do bloco do governo. Uma, na composição no Congresso, onde uma parcela do outrora Centrão da Constituinte que o PT se recusou a assinar dá sustentação ao mandato do ex-metalúrgico.
Como parte considerável desta mesma base apoiara a ditadura, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por<strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/diego-seixas/" target="_blank"> Diego Seixas</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/diego-seixas-sobre-midia-e-jornalismo/" target="_blank">Sobre mídia e jornalismo</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">O conflito surgido com as medidas que consideram os Direitos Humanos em sentido ampliado, expõe concepções divergentes de democracia, ultrapassando o tema da memória, verdade e justiça da ditadura. Seguindo seu próprio padrão de alianças não podia dar em outra coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Percebem-se duas formas de materialização do bloco do governo. Uma, na composição no Congresso, onde uma parcela do outrora Centrão da Constituinte que o PT se recusou a assinar dá sustentação ao mandato do ex-metalúrgico.</p>
<p style="text-align: justify;">Como parte considerável desta mesma base apoiara a ditadura, tudo o que se relacionar ao tema será no mínimo constrangedor. O maior exemplo foi no apoio para a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado.</p>
<p style="text-align: justify;">No ápice da luta, o Planalto ordenou a bancada do PT que se aquietara, levando o senador Mercadante (PT-SP) a desmentir a si mesmo em público.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra forma de composição de forças está na divisão de poderes entre as pastas de áreas parecidas ou iguais, mantendo a assimetria no acesso a recursos, mas sinalizando um modelo aparentemente salomônico.</p>
<p style="text-align: justify;">Na defesa do PNDH, onde se retoma o intento de revisar a Lei de Anistia para criminosos de lesa-humanidade, o ministro da Justiça Tarso Genro e o secretário especial de direitos humanos, Paulo de Tarso Vannuchi, fizeram a frente.</p>
<p style="text-align: justify;">Do lado oposto da trincheira, estão o titular da Defesa e ex-ministro de FHC Nelson Jobim, solidário com os comandantes das três forças que se recusam a admitir a culpabilidade castrense e dos oficiais envolvidos diretamente na tortura.</p>
<p style="text-align: justify;">O próprio recuo de Lula, ao revisar o decreto afirmando que houve “conflito” e não repressão política caracteriza o tipo de relação na interna do governo e indica para que lado pende a balança no final das contas.</p>
<p style="text-align: justify;">Este mesmo padrão se repete em setores estratégicos, como na agropecuária e na educação. De um lado os agentes econômicos têm seus representantes, como o setor primário com o arenista Reinhold Stephanes ou nas comunicações com o ex-correspondente da Voz da América Hélio Costa.</p>
<p style="text-align: justify;">De outro, nos mesmos temas, a “esquerda” se reconhece com Guilherme Cassel (reforma agrária) ou Franklin Martins (comunicação do Executivo).</p>
<p style="text-align: justify;">Na ausência de metas generalistas programáticas, o governo Lula se equilibra entre aprofundar o modelo de país e atender reivindicações de maneira episódica, desde que não fira interesses fundamentais de aliados.</p>
<p style="text-align: justify;">As metas de longo prazo são atravessadas por disputas de fundo, que estão além das conveniências ou da necessidade de ocasião do governo. Daí a ter divergências explícitas, fatos políticos midiatizados a exaustão, é um pulo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos demais temas, cada um por si e o presidente com a maioria dos apoiadores de ocasião.</p>
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