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	<title>Prosa em Verso &#187; Cláudia Dans &#8211; Conversa metafórica!</title>
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		<title>Próxima parada:  Estação Literatura!</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 13:46:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cláudia Dans - Conversa metafórica!]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Cláudia Dans em Conversa metafórica!
Quando revirava meu arquivo de notícias da internet em busca de inspiração para coluna, reli uma reportagem publicada em 23 de dezembro de 2009, na Folha Online. O texto falava das máquinas de vender livros que operam nas estações do Metrô. Segundo a Folha, são 16 máquinas distribuídas em 16 plataformas do Metrô, e que vendem Machado de Assis, Julio Verne, Sherlock Holmes e Nietzsche!
Rapidamente, lembrei-me do meu tempo de estudante, quando ia para faculdade de metrô e lia durante o percurso. Oh, tempo bom!!! ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/claudia-dans/" target="_blank"><strong>Cláudia Dans</strong></a> em <a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/claudia-dans-conversa-metaforica/" target="_blank"><strong>Conversa metafórica!</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Quando revirava meu arquivo de notícias da internet em busca de inspiração para coluna, reli uma reportagem publicada em 23 de dezembro de 2009, na <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u670415.shtml" target="_blank"><strong>Folha Online</strong></a>. O texto falava das máquinas de vender livros que operam nas estações do Metrô. Segundo a Folha, são 16 máquinas distribuídas em 16 plataformas do Metrô, e que vendem Machado de Assis, Julio Verne, Sherlock Holmes e Nietzsche!</p>
<p style="text-align: justify;">Rapidamente, lembrei-me do meu tempo de estudante, quando ia para faculdade de metrô e lia durante o percurso. Oh, tempo bom!!! E mesmo hoje, já formada, ainda faço isso com grande prazer! Claro que dormir também está incluído no item prazer que os meios de transportes proporcionam, mas fiquemos somente na leitura!</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, era comum quando entrava em algum vagão do metrô, pensar que estava em alguma sala de leitura ou na biblioteca, pois eu não era a única leitora! Já cheguei a contar mais de 4 pessoas lendo no metrô ou no trem (meu meio de transporte preferido!). Obviamente não sei se essas pessoas compraram seus livros nas máquinas, contudo sei que todos liam os mais variados gêneros.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas voltemos à reportagem e o porquê dela ser citada.</p>
<p style="text-align: justify;">E o leitor saberia dizer por que a citei? Se a resposta é preço de livros, a resposta está&#8230; CERTAAAAAAAAA.</p>
<p style="text-align: justify;">Os livros nessas máquinas custam de R$ 2 a R$ 10. São edições simples, de papel jornal e formato pequeno, que segundo o idealizador do projeto barateia muito o valor do livro. Imagine comprar dois livros e pagar apenas R$ 6? É uma ótima forma de estimular a leitura de grandes autores e histórias. Porque se você comprar numa livraria, dependendo da edição e da editora, o livro pode sair o triplo disso, e infelizmente poucos tem R$ 18 – ou mais do que isso – para comprar apenas um.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso ilumina também o porquê, nos últimos tempos, têm surgido tantos sebos (lojas de livros usados ou não tão usados assim) aqui em São Paulo: o valor dos livros. E se os livros são caros, afastam-se os leitores. De acordo com uma <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u655678.shtml" target="_blank"><strong>outra reportagem</strong></a> da Folha OnLine, com base num estudo divulgado <a href="http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/" target="_blank"><strong>pelo Instituto Pró-Livro</strong></a>, “apenas 7,47% da população brasileira compra livros não didáticos e destinam à literatura o equivalente a 0,05% da renda familiar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, muito pouca gente destina algo de sua renda a comprar de Literatura! Confesso que não sei precisar 7,47% de outra forma, mas sei que uma parte muito pequena da população brasileira compra livros. Agora como estimular a leitura, se os livros são caros? Por exemplo, adquiri recentemente um livro de contos de Bernardo Carvalho, chamado <em>Aberração</em>, da Companhia das Letras. E sabem quanto paguei? R$ 42. Caro, não? Sim, caro para quem não tem R$ 42 no bolso.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora vamos a um outro exemplo. Comprei num sebo, um livro do mesmo autor e paguei por ele apenas R$ 17. Se fizermos as contas, a diferença é de R$ 25. Valor que posso usar tranquilamente para comprar outro livro. É claro que obras de autores contemporâneos como Bernardo Carvalho, são raros de se encontrar num sebo, contudo, às vezes a sorte colabora! Porém, o que esses valores indicam é que livro no Brasil é um objeto de luxo, que pouco tem acesso.</p>
<p style="text-align: justify;">Com alguém poderá dizer que há bibliotecas. Claro que há! Tanto que o Metrô tem em cinco estações do Metrô, bibliotecas que desde 2004, já emprestaram 173.694 livros. Isso só na estação Paraíso do Metrô! As bibliotecas do <a href="http://www.metro.sp.gov.br/servicos/biblioteca/embarque.shtml" target="_blank"><strong>Embarque na Leitura</strong></a> localizadas em cinco plataformas, emprestam livros de vários gêneros textuais e melhor, de graça! Já fora do Metrô, existem as bibliotecas municipais, agora será que elas têm os grandes nomes da Literatura contemporânea brasileira ou alguma obra vampiresca recente? Difícil saber, mesmo porque a que tinha próxima da minha escola desapareceu, depois de tantas mudanças de local. A verdade é que há poucas <a href="http://www.cspb.org.br/news/print.php?2009/03/16/brasil-tem-uma-biblioteca-para-cada-33-mil-habitantes-pa-s-n-o-l.phtml?2009/03/16/brasil-tem-uma-biblioteca-para-cada-33-mil-habitantes-pa-s-n-o-l.html" target="_blank"><strong>bibliotecas no país</strong></a> e as que existem, sobrevivem às duras penas.</p>
<p style="text-align: justify;">É um problema grave, que passa pela situação econômica e social do país. Mais do que dinheiro, falta-se estimulo para se comprar livros. Ainda mais quando o dinheiro é curto demais, até para o básico. No entanto, é possível consumir boa literatura se não nos preocuparmos muito com a apresentação do livro. Eu mesma já comprei um livro de papel jornal, e lembro-me que paguei mais barato que a edição “normal”, digamos assim!</p>
<p style="text-align: justify;">Editoras como a <strong>Companhia das Letras</strong> tem uma linha de livros chamada <strong>Livros de Bolso</strong>, que publica autores contemporâneos em livros de papel jornal e com um valor mais baixo que numa edição tradicional. Uma ótima maneira de levar Literatura de qualidade para quem tem pouco acesso, especialmente, financeiro. Além disso, a <strong>L&amp;PM</strong> seguem o modelo livro de bolso, assim como a <strong>Martin Claret</strong> que possui um belo catalogo de grandes autores apresentados em belos livros. E com um belo atrativo: preços acessíveis. Ou seja, para ler um bom livro não se precisa tanto: só interesse em ler e algumas moedas! Agora se faltar moedas, um cartão de empréstimo de biblioteca soluciona tudo, especialmente, o desejo de ler no metrô!</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Sites citados:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Ilustrada, Folha Online.</p>
<p style="text-align: justify;">Embarque na Leitura, Companhia do Metropolitanto de São Paulo &#8211; Metrô.</p>
<p style="text-align: justify;">Wikipédia – A enciclopédia livre.</p>
<p style="text-align: justify;">CSPB – Confederação dos Servidores Públicos do Brasil.</p>
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		<title>Literatura no consultório</title>
		<link>http://prosaemverso.com.br/index.php/2010/02/07/literatura-no-consultorio/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 20:30:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cláudia Dans - Conversa metafórica!]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Cláudia Dans em Conversa metafórica!
Nos últimos seis meses tenho ido frequentemente ao dentista. E não foi diferente no mês de janeiro. A única diferença refere-se ao fato da minha dentista ter recitado um trecho de um poema de Manuel Bandeira:
“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei”
Surpreso, leitor? Eu também fiquei surpresa. Na verdade, fiquei admirada e emocionada. Ver e ouvir um profissional como o dentista declamar um poema e mais do que isso, ter o texto incorporado a sua rotina diária, é surpreendente. Ademais, esse fato prova a ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="  http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/claudia-dans/" target="_blank">Cláudia Dans</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/claudia-dans-conversa-metaforica/" target="_blank">Conversa metafórica!</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos seis meses tenho ido frequentemente ao dentista. E não foi diferente no mês de janeiro. A única diferença refere-se ao fato da minha dentista ter recitado um trecho de um poema de Manuel Bandeira:</p>
<p style="text-align: justify;">“Vou-me embora pra Pasárgada<br />
Lá sou amigo do rei”</p>
<p style="text-align: justify;">Surpreso, leitor? Eu também fiquei surpresa. Na verdade, fiquei admirada e emocionada. Ver e ouvir um profissional como o dentista declamar um poema e mais do que isso, ter o texto incorporado a sua rotina diária, é surpreendente. Ademais, esse fato prova a tese de que Literatura pode e deve fazer parte da vida de qualquer profissional, seja ele engenheiro, químico, médico, analista de sistema, dentista.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda essa história começou quando disse que era professora de português. Entre um aperto aqui e outro lá (já que uso aparelho odontológico), a dentista contou sua relação com as aulas de língua portuguesa. Segundo ela, gramática não será o seu forte. Se já tinha problemas para acentuar as palavras, depois da Reforma Ortográfica a dificuldade piorou. Na realidade, a dentista gostava das aulas de redação e de Literatura. Eis que surge a figura do antigo professor de português do colegial – atual ensino médio –, que falava dos livros, dos textos. Ou seja, ele contagiava os alunos contando os enredos dos livros, explicando os poemas&#8230; Tanto que ela, sempre que estar com alguma preocupação, declama: “Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei / Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei / Vou-me embora pra Pasárgada”.</p>
<p style="text-align: justify;">E qual seria a relação dessa narrativa com a Literatura? A resposta é simples: a forma como a Literatura é tratada e passada na escola. Ou seja, qual é o tratamento dado ao texto literário que o faz ser citado por um dentista? E detalhe, com paixão?</p>
<p style="text-align: justify;">Como professora da rede pública do Estado de São Paulo, sei que a escola tem um papel significativo na divulgação da Grande Literatura. É através dela que as várias crianças e adolescentes conhecem Machado de Assis, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, etc. No meu caso, lido com aproximadamente 40 adolescentes e faço um esforço, às vezes, subumano para com que eles leiam um conto machadiano e entendam o que leram! Para isso acontecer, uso uma grande dose da minha paixão pelo texto, somando a isso, leitura e conversa, além do estudo completo todo texto literário. O resultado, para minha alegria, é curiosidade atiçada!</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, será que um estudo completo de um texto literário combina com uma proposta curricular que vê a Literatura como um gênero textual e não como um universo particular? Ou com uma apostila que examina apenas uma palavra de um poema e que pergunta diante de dois textos “De qual texto você gostou mais? Por quê?” Definitivamente, essas questões restringem qualquer discussão literária. Porque, por exemplo, um poema não é feito apenas de palavras. Pelo contrário, há uma série de elementos que, se ignorados, perde-se o sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomemos como exemplo o poema <strong><a href="http://www.revista.agulha.nom.br/avz4.html" target="_blank">“Luar de verão”, de Álvares de Azevedo</a></strong>. Esse texto aparece no material distribuído pela rede pública estadual de São Paulo, mais precisamente, no caderno do aluno do 2º ano do ensino médio. É importante comentar que esse caderno faz parte da rede estadual desde 2008. Na tentativa de melhorar os índices de leitura, interpretação e produção de texto do ensino fundamental II e médio, a Secretaria de Educação implantou uma nova proposta curricular. Reorganizou-se o currículo para que em cada bimestre de cada serie, o estudante aprenda o necessário para seguir nos estudos. Para isso, criaram os cadernos do aluno e do professor, algumas com erros bastante graves como ter dois Paraguais no caderno de Geografia do Fundamental II; que conduziria o trabalho do professor e, consequentemente, do aluno. Mas voltemos ao poema de “Luar de verão”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse poema, o eu lírico compara sua amada a Lua, mas à distância os separam. Resta-lhe apenas a contemplação, o amor platônico tal como um trovador da Idade Média. Entretanto, o estudo desse poema restringe-se ao exame da palavra “trovador”. Os demais aspectos tais como a forma que a amada é descrita, a presença de elementos da natureza, a repetição do verbo “ver” não são comentados em momento algum do estudo. A preocupação é apenas com o termo “trovador”. A interpretação, se é que podemos chamá-la disso, se esquece também de referir-se ao fato do autor pertencer ao Romantismo Brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomemos o poema <strong><a href="http://www.revista.agulha.nom.br/manuelbandeira02.html" target="_blank">“Vou-me embora pra Pasárgada”</a></strong>. Após sua leitura, descobre-se que o eu lírico deseja ir para Pasárgada. Lá, ele terá a mulher que desejar, as aventuras que sonhar, pois lá ele é “amigo do rei”. Pasárgada é a felicidade, porque “Aqui eu não sou feliz”. Ou seja, onde ele se encontra há felicidade! Opondo Aqui e Lá, presente e futuro, a voz poética anseia partir para Pasárgada e lá encontrar uma vida menos “besta”, como diria Drummond.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, à medida que lemos o poema de Manuel Bandeira, observa-se a sonoridade, o ritmo de cada palavra e de cada verso. A linguagem com fortes marcas da oralidade, traz um tom coloquial, descontraído para o texto. Unindo oralidade e sonoridade, o poema pode facilmente transformar em uma canção. Tanto que o título se repete ao longo do texto, quase como um refrão, um refrão inesquecível! Porém, falta um ponto importante: o que é “Pasárgada”?</p>
<p style="text-align: justify;">Campo dos persas, que suscitou a imaginação do poeta por anos, este lugar “é outra civilização”. Moderna, “tem telefone automático”. Espaço de felicidade, de modernidade, Pasárgada é um lugar de liberdade sexual e moral. O eu lírico pode satisfazer seus sonhos, desejos tendo a mulher que quiser em sua cama que escolher sem medo da repreensão da sociedade, porque lá é “amigo” do rei! Ou seja, a autoridade está ao seu lado e o protege de qualquer problema. Vale comentar ainda que saber da vida literária do poeta e quando o poema foi escrito ajudam a entender porque o eu lírico quer tanto ir para Pasárgada.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, pensemos cuidadosamente. Saber apenas o significado de Pasárgada seria suficiente para compreender todo o poema? Por que ignorar que Manuel Bandeira passou anos imaginando Pasárgada e que a linguagem coloquial presente no texto era um dos ideais dos poetas do Modernismo? Enfim, é possível estudar Literatura apenas observando uma única palavra?</p>
<p style="text-align: justify;">Ensinar Literatura é uma das tarefas mais difíceis que enfrento todos os dias, ainda sim, a realizo com paixão e de modo pleno, completo. Literatura não  é um texto simples! Pelo contrário, as palavras num texto poético, por exemplo, nunca tem apenas um significado. As palavras criam imagens, na verdade, várias imagens que devem ser consideradas quando lemos um texto literário. Além disso, há também a musicalidade, o ritmo que não podem ser esquecidas num estudo literário.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no estudo apresentado pelas apostilas da Secretaria da Educação, percebe-se que Literatura é um texto cuja linguagem é diferente. Obviamente, um poema ou um conto possuem um trabalho significativo com a linguagem, porém não observar seu contexto de produção ou, dependendo do texto, os elementos biográficos do escritor, é tratar a Literatura de modo muito <strong>superficial</strong>, <strong>simplista</strong>! E uma coisa que não se deve fazer é abordar a Literatura como se fosse um texto difícil, sofisticado ou elaborado demais que não se possa ser lido ou interpretado. Tudo vale a pena, se a alma não é pequena!</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, focar apenas um elemento de um texto literário é, ao meu ver, um desserviço para o estudante. Ademais, sugere que o estudante não tem condições de interpretar o texto. Quando lemos e verificamos todos seus elementos, estamos utilizando nosso raciocínio, nossas leituras e nossas experiências. E mesmo que tenhamos poucas leituras, elas são validas e devem ser usadas! Sem medo! Porque só assim a interpretação de um texto literário se tornará natural. Tão natural que um dentista poderá dizer “Vou-me embora pra Pasárgada / lá sou amigo do rei / Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei / Vou-me embora pra Pasárgada”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Textos citados:</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">SÃO PAULO. Secretaria da Educação do Estado de SP. Caderno do Aluno: Língua Portuguesa. 2009. (2ª série – vol. 1).</p>
<p style="text-align: justify;">SÃO PAULO. Secretaria da Educação do Estado de SP. Caderno do Professor: Língua Portuguesa. 2009. (2ª série – vol. 1).</p>
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		<title>São Paulo que inspira!</title>
		<link>http://prosaemverso.com.br/index.php/2010/01/24/sao-paulo-que-inspira/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 20:28:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cláudia Dans - Conversa metafórica!]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Cláudia Dans em Conversa metafórica!
São Paulo: terra da garoa, do trabalho, dos dois pastel e um chopis, vendidos nos inúmeros botecos da cidade. São Paulo é cultura, moda, cinema, literatura. É música, teatro, pizza, vida!
À véspera de completar 456 anos de vida, Sampa é sinônimo de caos. A beleza cantada por Caetano Veloso tem desaparecido lentamente em meio aos congestionamentos, alagamentos, afogamentos, atropelamentos&#8230; O buraco do metrô engole tudo: engole queda de avião, tiro de canhão, aumento da corrupção, polícia e ladrão!
São Paulo é contradição: moderna e atrasada. Rica ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/claudia-dans/" target="_blank">Cláudia Dans</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/claudia-dans-conversa-metaforica/" target="_blank">Conversa metafórica!</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">São Paulo: terra da garoa, do trabalho, dos dois pastel e um chopis, vendidos nos inúmeros botecos da cidade. São Paulo é cultura, moda, cinema, literatura. É música, teatro, pizza, vida!</p>
<p style="text-align: justify;">À véspera de completar 456 anos de vida, Sampa é sinônimo de caos. A beleza cantada por Caetano Veloso tem desaparecido lentamente em meio aos congestionamentos, alagamentos, afogamentos, atropelamentos&#8230; O buraco do metrô engole tudo: engole queda de avião, tiro de canhão, aumento da corrupção, polícia e ladrão!</p>
<p style="text-align: justify;">São Paulo é contradição: moderna e atrasada. Rica e pobre. Linda e feia. Enfim, é a cidade em que os opostos se atraem, mas que convivem perfeitamente! Às vezes harmoniosamente. São Paulo é respiração, inspiração. E contagiada por seu aniversário, escolho Mário de Andrade e sua Paulicéia Desvairada, para pensarmos sobre essa cidade-mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Publicado em 1922, numa São Paulo ainda provinciana, que caminhava a passos largos para se tornar o que é hoje, este livro de poema tem a cidade da garoa como musa. Com uma linguagem simples, coloquial e com propositais “erros” ortográficos e gramaticais, Mário de Andrade atende aos preceitos do Modernismo: verso livre, experimentações, inovações poéticas, além da crítica, com o objetivo de produzir uma Literatura legitimamente moderna e brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Inspiração”, primeiro texto de <em>Paulicéia Desvairad</em>a, o poeta futurista, chamado assim por Oswald de Andrade; apresenta-nos o retrato físico de uma São Paulo marcada por uma profunda dualidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Inspiração”</em></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Onde até na força do verão havia</em><em><br />
</em><em> tempestades de ventos e frios de</em><em><br />
</em><em> crudelíssimo inverno.”</em><em><br />
</em><em> <strong>Fr. Luís de Sousa</strong></em></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>São Paulo! Comoção de minha vida&#8230;</em><em><br />
</em><em> Os meus amores são flores feitas de original&#8230;</em><em><br />
</em><em> Arlequinal!&#8230; Traje de losangos&#8230; Cinza e ouro&#8230;</em><em><br />
</em><em> Luz e bruma&#8230; Forno e inverno morno&#8230;</em><em><br />
</em><em> Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes&#8230;</em><em><br />
</em><em> Perfumes de Paris&#8230; Anys!</em><em><br />
</em><em> Bofetadas líricas no</em><em><br />
</em><em> Trianon&#8230; Algodoal!&#8230;</em><em><br />
</em><em> São Paulo! Comoção de minha vida&#8230;</em><em><br />
</em><em> Galicismo a berrar nos desertos da América!</em></p>
<p style="text-align: justify;">No poema acima, verifica-se, a partir da epígrafe de Fr. Luís de Sousa, que São Paulo será descrita sobre a ótica do clima: “verão/tempestades de ventos”, “frios/inverno”. Opondo temperaturas tão distintas, é inevitável não pensarmos nas fortes chuvas de verão, que param a cidade e no inverno, seco e poluído, que congela o corpo e a alma. Seus contrastes, porém, não se limitam apenas ao tempo, sempre instável, São Paulo é “ouro”, “forno”, “algodoal”. É as “líricas no Trianon”, é os “perfumes de Paris”.</p>
<p style="text-align: justify;">Referindo-se à burguesia paulista que frequenta Paris – modelo de progresso e de cultura – e o luxuoso restaurante/confeitaria Trianon; e a indústria que crescer e progride, o eu lírico revela uma São Paulo rica, não só em dinheiro, mas em cultura. Ao citar “líricas no Trianon”, a voz poética acena para o futuro papel cultura da cidade. Palco da Semana de Arte de 1922, São Paulo habituou-se a ser cenário de grandes eventos culturais e teatrais. Sua vocação para cultura pode ser observada nos inúmeros acontecimentos que organiza e oferece, como a <strong>Amostra Internacional de Cinema</strong> e a<strong> Bienal Internacional de Arte (Bienal)</strong>, para ficarmos apenas nesses dois eventos.</p>
<p style="text-align: justify;">É interessante notar em “Inspiração” como o eu lírico vê e sente a cidade. Ao dizer por duas vezes “São Paulo! comoção de minha vida”, ele mostra o quanto a terra da garoa o emociona. Essa emoção transparece na pontuação repleta de reticências e pontos de exclamações. Ademais, ao descrever a cidade, o sujeito poético não usa verbos, não há indicações de ações, pois a cidade surge por meio de imagens e não por ações. A única ação existente é a da emoção, do desconcerto que São Paulo causa ao eu lírico. E para ele, a maior cidade do Brasil tem a imagem de um Arlequim, com sua roupa de losangos. Figura do teatro italiano que em parceria com o Pierrô, formam o alegre e o triste.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal referência nos remete não só ao carnaval paulistano, mas a uma de suas características mais presentes: <strong>as diferenças sociais</strong>. Embora seja um cidade rica em bens materiais e cultura, esses elementos não chegam à periferia, que sofre com a falta de lazer, trabalho e saúde. Além disso, a imagem do Arlequim casa-se perfeitamente com a imagem da cidade, pois São Paulo se constrói por meio das diferenças. Tudo nela é contraste, oposição. Ao mesmo tempo em que ela é rica, ela é pobre. Ao mesmo tempo em que ela é alegria, ela é tristeza. É impossível não pensar no “forno” como metáfora do progresso industrial e urbano de São Paulo com suas grandes avenidas e marginais que se transformam em extensões dos rios, ao menos sinal de chuva!</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar disso, São Paulo ainda inspira! Inspira um olhar crítico, obviamente. Mesmo tomado por uma atitude inconsciente, visto que o título do poema de Mário refere-se a um ato intuitivo, sem a presença da razão; o sujeito lírico não perde a visão crítica sobre a cidade. Ao dizer “Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes”, ele revela quanto a burguesa paulista vive da aparência, sempre discreta e bela, já que esconde seus pecados. Mais do que isso, esta sociedade parece também não se incomodar com os escândalos do outro, especialmente se o outro não está à vista, não está na sua vista.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outro poema de <em>Paulicéia Desvairada</em>, Mário de Andrade evidência muitíssimo bem o quanto a cidade não vê o outro. Ou quando vê o outro, ela pensa estar vendo outra pessoa. Isso porque a garoa não a deixar ver realmente quem vem ou quem vai. Segue poema:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Garoa do meu São Paulo,<br />
– Timbre triste de martírios –<br />
Um negro vem vindo, é branco!<br />
Só  bem perto fica negro,<br />
Passa e torna a ficar branco.<br />
Meu São Paulo da garoa,<br />
– Londres das neblinas finas –<br />
Um pobre vem vindo, é rico!<br />
Só  bem perto fica pobre,<br />
Passa e torna a ficar rico.<br />
Garoa do meu São Paulo,<br />
– Costureira de malditos –<br />
Vem um rico, vem um branco,<br />
São sempre branco e ricos&#8230;<br />
Garoa, sai dos meus olhos.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Num jogo de ir e vir, contrapondo “rico/branco”, “pobre/negro”, Mário de Andrade mostra que São Paulo é feita de raças distintas, mas a “neblinas finas”, a “garoa” esconde isso. Somente quando se aproxima o olhar é que se ver realmente os contrastes: o “branco”, o “negro”. O que se evidência, é que a cidade, apesar de formada por diferentes classes sociais e raciais, não expõe isso claramente, porque a garoa não sai de seus olhos. Há neblina como em Londres! Logo São Paulo acaba revelando “sempre branco e ricos&#8230;”. E para ver o outro, a diferença, é preciso fixar o olhar mesmo sobre a fina garoa.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, São Paulo ainda é a “comoção da minha vida”. Sua luz inspira, instiga, comove! Embora construída sobre a viga do contraste, das diferenças, da oposição, ela ainda guarda alguma beleza. Quem sabe sua beleza não está na diversidade? Mas até quando ela aguentará tanta desigualdade social, racional, moral? Mas São Paulo é assim! Variedade! Muita variedade!</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Romances em que São Paulo aparece como cenário, espaço, lugar!</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Mário de Andrade. <em>Macunaíma.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Alcântara Machado. <em>Brás, Bexiga e Barra Funda.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Joca Reiners Terron. <em>Hotel Hell.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Bernardo Carvalho. <em>O Sol se põe em São Paulo.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Burno Zeni. <em>O fluxo silencioso das máquinas.</em></p>
<p style="text-align: left;">Airton Paschoa. <em>Dárlin.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Pausa para leitura:  indicações</title>
		<link>http://prosaemverso.com.br/index.php/2010/01/10/pausa-para-leitura-indicacoes/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 14:05:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cláudia Dans - Conversa metafórica!]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Cláudia Dans em Conversa metafórica!
E o Ano Novo chegou! Repleto de esperanças e de expectativas. É hora de pensar no futuro, mas é momento também de descansar e de ler! Ler muuuuuuuuuuito!
Em nossa última conversa, que aconteceu ano passado (faz tempo, não?), falei sobre como escolher um livro ou vários! E já que estamos em janeiro, mês de férias, para muitos de nós, aproveito a coluna para indicar algumas leituras. Caso o leitor não esteja de férias ainda, a dica continua valendo! Vai que de repente você fica de ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/claudia-dans/" target="_blank">Cláudia Dans</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/claudia-dans-conversa-metaforica/" target="_blank">Conversa metafórica!</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">E o Ano Novo chegou! Repleto de esperanças e de expectativas. É hora de pensar no futuro, mas é momento também de descansar e de ler! Ler muuuuuuuuuuito!</p>
<p style="text-align: justify;">Em nossa última conversa, que aconteceu ano passado (faz tempo, não?), falei sobre como escolher um livro ou vários! E já que estamos em janeiro, <strong>mês de férias</strong>, para muitos de nós, aproveito a coluna para indicar algumas leituras. Caso o leitor não esteja de férias ainda, a dica continua valendo! Vai que de repente você fica de férias!</p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente, alguns viajam! Mas isso não é desculpa para não ler! A desculpa é poder ler, ler um pouco mais! Eu mesma, sempre que chega janeiro, aproveito as férias escolares e leio o que não consegui durante o ano. Digamos que leio mais agora, do que no decorrer do ano. Além disso, é uma boa hora para se descobri coisas novas, o que combina muitíssimo bem com o Ano Novo! Então vamos aos livros!</p>
<p style="text-align: justify;">“O poeta é um fingidor.” Este é o primeiro verso do poema “Autopsicografia”, de Fernando Pessoa. Verso mais do que conhecido, é a síntese de uma obra. Uma obra maravilhosa reunida em <em>O guardador de rebanhos e outros poemas</em>. Com seleção e introdução de Massaud Moisés (grande estudioso de literatura brasileira e portuguesa), o livro traz não só os poemas de Fernando Pessoa como dos demais heterônimos: <em><strong>Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos</strong></em>. Há também os textos de <em>Mensagem</em>, único livro de Pessoa publicado em vida.</p>
<p style="text-align: justify;">A indicação pode parecer sofisticada demais, porém a poesia de Fernando Pessoa exige apenas entrega por parte do leitor. E combina com as férias, especialmente, Caeiro. Comece a leitura pelos poemas do guardador de rebanhos. Sugiro o poema “VII”, em tempos de enchentes e de chuvas sem perdão, esse texto mostra o quanto à cidade está perdendo da visão da natureza!</p>
<p style="text-align: justify;">E já  que o assunto é cidade, elejo a minha cidade como personagem. E é a cidade de São Paulo a personagem de <em>Eles eram muitos cavalos</em>, de Luiz Ruffato. Sem um narrador identificável, percorremos a cidade da garoa num único dia, indo de um ponto ao outro. À medida que andamos pela capital do trabalho, conhecemos outros personagens que rapidamente surgem, que rapidamente desaparecem.</p>
<p style="text-align: justify;">São inúmeras pequenas histórias que poderiam ser classificadas como contos, mas que no conjunto formam uma única história, que aconteceu em “São Paulo, 9 de maio de 2000”. O leitor desavisado pode estranhar ou simplesmente não entender o livro, porém, a obra tenta por meio de pequenos flashes – ou seriam capítulos? – retratar o caos da metrópole. E o que esse caos faz com quem vive nela. É uma ótima leitura para quem quer conhecer a Literatura Contemporânea Brasileira produzida atualmente.</p>
<p style="text-align: justify;">É também nos grandes centros urbanos do Brasil que Fernando Bonassi colhe Suas <em>100 histórias colhidas na rua</em>. E são exatamente 100 histórias, que o escritor paulista mostra neste livro. Roterista de filmes como Os matadores, Bonassi mostra a violência que a cada dia que passa torna-se mais comum nos centros urbanos. Mais do que isso, ele registra a vida, que insiste em continuar em meio à violência policial, social, doméstica.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu olhar é  um olhar preciso, curto, direto. Não há meio termo, só  há o olhar de alguém que cruza a cidade anotando o que a visão capta. Às vezes, esse ato revela-se poético, repleto de lirismo, que o diga o texto 72. Porém, o que salta aos nossos olhos do leitor é a velocidade do olhar: ele é sempre apressado. Não há tempo para se deslumbrar a beleza (Será que ela existe ainda?), o tempo urge!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas podemos simplesmente voltar no tempo. Voltar a um tempo mais lento, vagaroso repleto de mistério, terror e medo. Em <em>Noite na Taverna</em>, de Álvares de Azevedo esses ingredientes aparecem num ambiente noturno, envolto em vinho, em Romantismo. Numa taverna em algum lugar do mundo, em pleno século XIX, ouvimos seis relatos diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Seus narradores, que dão nomes a cada conto, remetem-nos ao universo do Ultraromantismo, em que o melancólico, a morte e as paixões exageradas constroem histórias às vezes de terror, às vezes amor. É possível observar ainda o quanto Álvares de Azevedo era um grande leitor. Primeiro, porque cada personagem/narrador tem seu nome tirado da obra de Byron, poeta inglês; e cada texto abre com uma citação poética de autores como, por exemplo, Shakespeare. Ou seja, é uma ótima oportunidade de ler o que o outro leu. Imagine passar as férias em companhia de Romeu e Julieta!</p>
<p style="text-align: justify;">As indicações podem, aparentemente, não ter uma ligação ou um ponto comum. Entretanto, se observarmos com cuidado, nota-se que o pano de fundo dos livros sugeridos é a <strong>cidade</strong>: cidades do mundo, cidades portuguesa, cidades brasileiras. E não é para as cidades que vamos quando saímos de férias? Experimente ler um livro na cidade em que ele foi escrito. Ou tente conhecer o lugar em que o escritor nasceu. É a mais pura emoção! E é o que a Literatura, assim como as férias, mais proporciona: <strong>emoção</strong>!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Textos citados</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fernando Pessoa. <em>O guardador de rebanhos e outros poemas</em>. São Paulo: Cultrix.</p>
<p style="text-align: justify;">Luiz Ruffato. <em>Eles eram muitos cavalos</em>. São Paulo: Boitempo Editorial.</p>
<p style="text-align: justify;">Fernando Bonassi. <em>Suas 100 histórias colhidas na rua</em>. São Paulo: Scritta.</p>
<p style="text-align: justify;">Álvares de Azevedo. <em>Noite na Taverna</em>. Rio de Janeiro: Francisco Alves.</p>
<p style="text-align: justify;">William Shakespeare. <em>Romeu e Julieta</em>. São Paulo: Martin Claret.</p>
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		<title>Ler: por onde começar?</title>
		<link>http://prosaemverso.com.br/index.php/2009/12/27/ler-por-onde-comecar/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 14:21:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cláudia Dans - Conversa metafórica!]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Cláudia Dans em Conversa metafórica!
Na coluna anterior, conversamos a respeito da leitura e como ela é importante para se descobrir a Literatura e, consequentemente, os universos que guarda. Porém, por onde começar? Reformulando a pergunta e jogando-a para o leitor: como você escolhe o livro que vai ler?
No meu caso, tenho duas formas peculiares de escolher o que ler. A primeira é ler as resenhas críticas que saem em jornais ou em revistas virtuais ou não, e a segunda, ouvir o escritor falar do livro que escreveu. Inclua nessa ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/claudia-dans/" target="_blank">Cláudia Dans</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/claudia-dans-conversa-metaforica/" target="_blank">Conversa metafórica!</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Na coluna anterior, conversamos a respeito da leitura e como ela é importante para se descobrir a Literatura e, consequentemente, os universos que guarda. Porém, por onde começar? Reformulando a pergunta e jogando-a para o leitor: como você escolhe o livro que vai ler?</p>
<p style="text-align: justify;">No meu caso, tenho duas formas peculiares de escolher o que ler. A primeira é ler as resenhas críticas que saem em jornais ou em revistas virtuais ou não, e a segunda, ouvir o escritor falar do livro que escreveu. Inclua nessa última, o contar a história do livro. Há uma terceira maneira também, que é escolher pelo título. Costumo usar essa tática quando vou à biblioteca ou à livraria.</p>
<p style="text-align: justify;">E o que há de tão especial nessas estratégias? Quantos de nós não escolhemos um livro baseado na resenha lida na <em>Folha de S. Paulo</em> ou na <em>Veja</em>? Provavelmente muitos leitores compram um livro depois de ler a crítica. Ou depois de ler a Lista dos Mais Vendidos. As livrarias costumam apresentar essa lista e montam suas vitrines com os mais vendidos. Confesso que nunca comprei um livro por causa de resenha ou de lista de mais vendidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, leio muito pouco essas resenhas, e quando as leio, até me interesso. Porém, o desejo logo cai no esquecimento. E no esquecimento real, pois nunca lembro de guardar o nome do livro. Sendo assim, fica complicado comprar um livro com base numa resenha. Agora se for História em Quadrinho, a história é outra! Sempre que posso, compro o que o <strong><a href="http://universohq.com/" target="_blank">Universo HQ</a></strong> ou o <strong><a href="http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/" target="_blank">Blog dos Quadrinhos</a></strong> (site e blog especializados em Histórias em Quadrinhos) indicam. Nunca tem erro! Pelo menos para mim.</p>
<p style="text-align: justify;">Além da resenha, há uma outra forma de ler: escolher pelo título. Clarice Lispector, em várias entrevistas suas, dizia que escolhia suas leituras pelo título. E detalhe: ela nunca conhecia o autor. Simplesmente lia o título e pronto! Lia o livro. Parece um encontro às escuras, contudo, é uma maneira bastante ousada de ler. E se o texto eleito for ruim? Pode ser perigoso, mas ao mesmo tempo, original. Já fiz isso algumas vezes e até agora nunca me arrependi.</p>
<p style="text-align: justify;">E para que isso dê certo, aqui vão algumas dicas. Primeiro, leia a orelha do livro. Sempre traz informações do que é a história. Segundo, folheie o livro, leia o inicio da narrativa. Ajuda a se ter uma ideia, ainda que superficial, do enredo. E por fim, pergunte ao atendente da livraria. Em geral, eles sabem “muito” do livro e podem dar detalhes preciosos sobre a obra! Outra dica valiosa é buscar o escritor que já se conhece. Mesmo que você não conheça o último livro dele, você conhece o estilo dele. Ou escolha pelo gênero ou pelo tema.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2004, durante um congresso em Porto Alegre/RS, comprei uma coletânea de contos chamada <em>Páginas de Sombra: contos fantásticos brasileiros</em>. O tema comum aos contos era o Fantástico, como indica o titulo. Adorei o livro, assim como os contos. Obviamente, antes de comprá-lo, li a orelha, olhei o índice, os contos&#8230; Enfim, foi uma ótima escolha motivada pelo gênero, pelo tema ou pelo título? (Digamos que foi uma mescla de tudo isso!).</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, o que me faz comprar livros mesmo é ouvir, resumidamente, sua história. Já li muito romance, conto, novela, motivada simplesmente pelo que <strong>ouvi</strong>. Lembro-me que o primeiro texto que li de Clarice Lispector foi o conto “Amor”. Dias depois de ouvir o professor de Literatura Brasileira contar o enredo desse conto, eu fui lê-lo! E foi assim com <em>O pintor que escrevi</em>a, de Letícia Wierzchowski, <em>Teatro</em>, de Bernardo de Carvalho, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, o programa <strong><a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1174454-7823-A+JOVEM+FRANCES+DE+PONTES+PEEBLES+LANCA+O+ROMANCE+A+COSTUREIRA+E+O+CANGACEIRO,00.html" target="_blank">Espaço Aberto – Literatura</a></strong>, da Globo News, apresentou uma entrevista com a escritora pernambucana <strong><a href="http://francesdepontespeebles.com/blog/feed" target="_blank">Frances de Pontes Peebles</a></strong>, que falava sobre seu primeiro livro: <em>A costureira e o cangaceiro</em>. Terminado o programa, lá fui eu procurar mais informações sobre a escritora e seu livro. E é ai que entra as resenhas. Sempre que descubro um livro novo, via audição, leio as críticas e tudo mais sobre a obra. Ao seguir essa estratégia, reavivo uma das tradições mais antigas do mundo: o do <strong>contador de histórias</strong>. Mais do que isso, reavivo uma das mais antigas figuras do narrar histórias: <em><strong>Scheherazade e As Mil e Uma Noites</strong></em>.</p>
<p style="text-align: justify;">E como isso me fascina! Ouvir histórias é como pudesse retornar ao Oriente&#8230; é como se pudesse ouvir a própria Scheherazade contar o romance que lerei, assim que o comprar. E essa tática tem um poder e uma força indescritível! Depois de uma aula sobre Machado de Assis e <em>Dom Casmurro</em>, um aluno diz que trocou <em>Código Da Vinci</em>, de Dan Brown, pelo romance máximo de Machado. Tudo porque ele ficou curioso! E depois dizem que a curiosidade matou o gato! Até pode ser, mas neste caso, viva a curiosidade!</p>
<p style="text-align: justify;">E é a curiosidade que me motiva a buscar os livros que apenas ouvir falar. E uma vez lido, inicia-se novamente o contar. Pois quem conta um conto aumenta um ponto, mas aumenta também o desejo de se ler e depois de se contar. Porém, para que isso ocorra alguém tem que começar. E já que estamos no pós Natal (A propósito, Feliz Natal!), que tal contar a história de algum livro lido? Ou quem sabe, ler o que ouviu?</p>
<p style="text-align: justify;">Independente da forma de selecionar o seu livro, o importante é começar e não parar. Não parar nunca, porque assim como a Literatura depende da leitura, a leitura só existe quando se tem um livro nas mãos! Portanto, escolha um livro, se quiser escolha mais de um, e divirta-se! Divirta-se sempre!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Textos indicados e que devem ser lidos!</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Clarice Lispector. <em>Laços de família.</em> 24 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991.</p>
<p style="text-align: justify;">Nádia Battella Gotlib.<em> Clarice:</em> Uma vida que se conta. São Paulo: Ática, 1995.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Página de Sombra:</em> Contos Fantásticos Brasileiros. Seleção e apresentação: Bráulio Tavares. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.</p>
<p style="text-align: justify;">Letícia Wierzchowski. <em>O pintor que escrevia:</em> amor e pecado. Rio de Janeiro: Record, 2003.</p>
<p style="text-align: justify;">Bernardo Carvalho. <em>Teatro.</em> São Paulo: Companhia das Letras, 1998.</p>
<p style="text-align: justify;">Frances de Pontes Peebles.<em> A costureira e o cangaceiro. </em>Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">Dan Brown. <em>Código Da Vinci.</em> Rio de Janeiro: Sextante, 2004.</p>
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		<title>Só se descobre a Literatura, quando se descobre a Leitura!</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 15:04:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cláudia Dans - Conversa metafórica!]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Cláudia Dans em Conversa metafórica!
Domingo chegou, e com ele, mais uma Conversa Metafórica! Mas antes, quero agradecer o carinho de todos que passaram por aqui, lendo, comentando, lendo, comentando, enfim, muito obrigada por participarem da minha estreia! E para comemorar essa felicidade, lembrei-me de um texto que tem tudo a ver com a minha paixão e com a conversa de hoje: Leitura.
O conto lembrado é “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector. Um dos meus preferidos, dentro da minha infinita lista de textos favoritos; essa narrativa retrata a profunda paixão da ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/claudia-dans/" target="_blank">Cláudia Dans</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/claudia-dans-conversa-metaforica/" target="_blank">Conversa metafórica!</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Domingo chegou, e com ele, mais uma <strong>Conversa Metafórica!</strong> Mas antes, quero agradecer o carinho de todos que passaram por aqui, lendo, comentando, lendo, comentando, enfim, muito obrigada por participarem da minha estreia! E para comemorar essa felicidade, lembrei-me de um texto que tem tudo a ver com a minha paixão e com a conversa de hoje: Leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">O conto lembrado é “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector. Um dos meus preferidos, dentro da minha infinita lista de textos favoritos; essa narrativa retrata a profunda paixão da narradora por livros e histórias. Transcrevo um trecho.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria </em>(Clarice Lispector, 1991, p.15).</p>
<p style="text-align: justify;">Logo no primeiro parágrafo do conto, conhecemos as personagens: a narradora e uma menina que tinha “o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria”. Devoradora de história! Pensem na palavra: devoradora. A imagem não poderia ser mais curiosa e ao mesmo tempo, precisa. Ao se denominar devoradora de histórias, a narradora dizer que lê é alimentar-se. Ler um livro é comê-lo, e comê-lo rapidamente, desesperadamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Resumidamente, a história é a seguinte: a narradora devoradora relata sua “ânsia de ler” e as humilhações a que é submetida para conseguir o livro <em>As Reinações de Narizinho</em>, de Monteiro Lobato. Segundo a jovem leitora, é “um livro grosso, meu Deus, era um livro para ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o” (1991, p. 16). Depois de um logo percurso, de idas e vindas, a menina-narradora consegue o desejado livro, além de ouvir o que já mais pensou ouvir&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer </em>(Idem, p.17-8).</p>
<p style="text-align: justify;">Leram? “pelo tempo que eu quisesse”. Ao repetir parte da fala da mulher, a narradora expressa toda a sua alegria, sua felicidade. Uma felicidade, que embora fosse clandestina, ser-lhe-ia pelo tempo que quisesse. Não existiria data de entrega: o desfrute do livro seria eterno. Tanto que ao voltar para casa, carregando o tão sonhado livro, a menina leitora caminha “bem devagar”, para que o tempo pudesse parar, ou simplesmente, desaparecer! E a emoção da leitura pede isso: atemporalidade. Entretanto, a leitura pede também imaginação e entrega por parte do leitor. Mas isso, pouco a pouco, tem desaparecido. É como se ler exigisse um esforço maior do que segurar o livro nas mãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Conversando com alguns alunos sobre <em>Crepúsculo</em> – o bestseller do momento –, comentei que estava curiosa para ler a saga e descobri qual é o segredo de seu sucesso. (Assim que os lê, prometo uma conversa detalha sobre esses livros. Porém, já aviso de antemão, que pode demorar um pouco!) Eis que surge um comentário com ares de conselho: “Ah por que a senhora não espera os livros saírem em filme? É mais fácil, já vê tudo pronto na tela!”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dias passaram, e quando procurava um tema para a coluna, lembrei-me dessa fala, assim como do conto de Clarice. Além de uma frase de Paulo Freire: “A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo”. A partir daí, surgiu à pergunta. Ou seriam perguntas?</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, o que significa realmente ler? Será que ler é apenas decodificar palavras com o intuito de descobrir a mensagem? Ou ler seria devorar livros como faz a narradora de “Felicidade Clandestina”? E o que é ler Literatura? O leitor desta coluna dirá que ler Literatura é ler histórias estranhas, que ninguém entende, pois a linguagem é antiga (adoro ouvir isso dos meus alunos!) ou a história não tem nem pé nem cabeça (adoro ouvir isso também!).</p>
<p style="text-align: justify;">Retomemos a fala de Paulo Freire. Ao diz que lemos o mundo antes da palavra, o pedagogo afirma que o mundo é o nosso primeiro livro. É o mundo que nos alimentará com histórias, canções, cores e sensações. Tanto que Paulo Freire diz que aprendeu a ler no chão do quintal, pelo pai, a partir de suas experiências, de seu mundo recheados de árvores, pássaros e de todas outras coisas que estavam ao seu redor. E na escola, essa foi aprofundada, lapidada como um diamante.</p>
<p style="text-align: v;">É interessante pensarmos no que Freire fala sobre a leitura, pois para ele ler é experiência que a família oferece e que a escola intensifica e aprofunda. Isto é, leitura vem do berço, ou pelo menos deveria vir. São poucos os que têm a sorte de lerem em casa, ou de ouvirem em casa algum tipo de narrativa. Hoje, em pleno século XXI, contar ou ler histórias tornou-se uma tarefa rara, que foi substituída pelos jogos eletrônicos ou pela programação da TV.</p>
<p style="text-align: justify;">Não estou aqui dizendo que os vídeos games e programas infantis ou desenhos devam ser abolidos. Pelo contrário, eu mesma, quando criança, joguei muito vídeo games. Alguém ai lembra do Atari? (Por favor, não diga que a colunista é velha! Magoa! Diga que ela é experiente!) Quanto aos desenhos, assisti a muitos quando criança. Era o meu passatempo preferido! Hoje já não é tanto, só nas férias! Porém, lembro-me também que em casa sempre tinha jornal, quadrinhos e livros: tive a experiência da leitura desde sempre. E a conservo mesmo com a Internet em franca expansão.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, sei que muitos dos meus alunos não tiveram a leitura como experiência quando crianças. Para muitos, a leitura é uma tortura, um sofrimento que somente a TV ou o cinema salva. É só lembrar da fala do meu aluno: “Espera sair o filme!” Vale lembrar ainda que no Brasil, livro é um bem cultural caro. E biblioteca, hábito bem raro. Então qual seria a solução? Obrigar a escola a desempenhar mais uma tarefa, dentre as inúmeras que já tenta realizar precariamente? Ou exigir do Governo medidas eficientes e concretas para que a leitura torne-se lembrança de todos? Ou distribuir livros na cesta básica, como sugeriu certa vez Ziraldo? (Tomara que algum deputado leia isso e procure o Ziraldo para transformar o sonho em realidade! Mas isso já é outro sonho, não?).</p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que não sei qual seria a solução. Sei, contudo, que <strong>não há Literatura sem Leitura</strong>. Não há filmes, desenhos, quadrinhos ou jogos de vídeo games sem Leitura e, consequentemente, sem Literatura. Antes de ganhar as telas dos cinemas, qualquer filme, seja <em>Crepúsculo</em> ou <em>Vidas Secas</em>, foi primeiro livro. Um livro como o que a narradora de Clarice Lispector tanto queria. Porém, o livro continua esquecido e ignorado. São poucos os que buscam nos livros aventura, emoção, drama ou denúncia social. Ler um livro é, para muitos, uma atividade exigente demais para a mente.</p>
<p style="text-align: justify;">E qual seria sua exigência? Além dos investimentos, que como disse não é dos mais baratos, e das iniciativas públicas como distribuir livros aos alunos da rede pública; ler pede concentração, entrega e raciocínio. E sinto dizer, nossos jovens têm isso, mas sua utilização é quase preguiçosa. Diante do colorido infinito da TV e da internet, com suas imagens super hiper mega dinâmicas e às vezes interativas, imaginar um cenário de desolação e de seca como em <em>Vidas Secas</em>, de Graciliano Ramos, é realmente cruel, porém não impossível.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a leitura, podemos viajar sem sair do lugar. Lendo, podemos voltar no tempo ou ir para o futuro. Lendo, vamos ao céu ou ao inferno. Com direito a pararmos na Lua, para apreciarmos a paisagem. Os clichês são muitos e dizem a mesma coisa: ler é possibilidade de conhecimentos e de saberes inimagináveis. E ao contrário dos filmes, que contam suas histórias por meio de imagens; os livros devem ser lidos, pois é com as palavras que podemos exercitar a formação de imagens, que podem ser mais ricas que as do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Definitivamente, a leitura é o primeiro ato que devemos ter e isso deve começar de pequeno. Mas não quer dizer que um jovem não possa adquiri-lo. Pelo contrário, qualquer um pode ler. Todos devem ler sem medo, sem vergonha de consultar um dicionário, sem medo de repente parar no meio. A leitura deve ser um momento de pura entrega. E, principalmente, de pura felicidade.</p>
<p style="text-align: justify;">No conto de Clarice Lispector, depois de brincar de perder e achar o livro de Monteiro Lobato, a devoradora de histórias senta-se na rede. Então vem a constatação e a transformação: “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante” (p. 18). A metáfora é belíssima e extremamente sexual. A leitura é, como disse, entrega e paixão. E quando isso conduz o ato, fica muito mais fácil perceber e entender as metáforas do mundo e da arte!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Textos citados</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Clarice Lispector: “Felicidade Clandestina”, IN: <em>Felicidade Clandestina.</em> 7 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991.</p>
<p style="text-align: justify;">Graciliano Ramos. <em>Vidas Secas.</em> 70 ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 1995.</p>
<p style="text-align: justify;">Paulo Freire. <em>A importância do ato de ler.</em> 23 ed. São Paulo: Cortez e Autores Associados, 1995.</p>
<p style="text-align: justify;">Stephanie Meyer. <em>Crepúsculo.</em> 2 ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008.</p>
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		<title>Em busca do tom!</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 14:14:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cláudia Dans - Conversa metafórica!]]></category>

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		<description><![CDATA[Já que a coluna se chama Conversa metafórica! é justo que se encontre o tom.  De preferência, o tom certo!
Por Cláudia Dans em Conversa metafórica!
Em toda estreia que se preze, o nervosismo, a ansiedade e a felicidade se misturam. Confesso que apesar do frio na barriga, estou radiante! Faço parte de um projeto maravilhoso, que é o Prosa em Verso, elaborado pela Tatiana Monteiro; e realizo um sonho: falar de Literatura.
Obviamente, não será um podcast, contudo, se você, caro leitor, notou, esta coluna atende pelo nome de Conversa metafórica! ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Já que a coluna se chama Conversa metafórica! é justo que se encontre o tom.  De preferência, o tom certo!</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em>Por <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/colunas/claudia-dans/" target="_blank">Cláudia Dans</a></strong> em <strong><a href="http://prosaemverso.com.br/index.php/category/colunas/claudia-dans-conversa-metaforica/" target="_blank">Conversa metafórica!</a></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-333" title="notas musicais" src="http://prosaemverso.com.br/wp-content/uploads/2009/11/notas-musicais.jpg" alt="notas musicais" width="180" height="135" />Em toda estreia que se preze, o nervosismo, a ansiedade e a felicidade se misturam. Confesso que apesar do frio na barriga, estou radiante! Faço parte de um projeto maravilhoso, que é o Prosa em Verso, elaborado pela Tatiana Monteiro; e realizo um sonho: falar de Literatura.</p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente, não será um podcast, contudo, se você, caro leitor, notou, esta coluna atende pelo nome de <strong>Conversa metafórica!</strong> Logo, dizer que falarei de Literatura não é de todo errado. E já que é uma estreia, penso que é necessário encontrar o tom. Não só de fala, mas também de assunto.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de redigir este texto e depois do convite feito pela Tatiana para ser colunista, surgiu um problema: como a coluna se chamará? Que nome deve ter um espaço que focará Literatura? Oh dúvida cruel! Que nomeeeeeeeeeeee?</p>
<p style="text-align: justify;">Parece exagerado (na verdade, gosto de um pouco de drama!), porém, ao contrário de outras ocasiões, não sabia como nomear a coluna. E por mais que pensasse e pensasse, nada me vinha à mente! Até que&#8230; BUUM!!! E um passe de magia eis que aparece o título: Conversa metafórica! Entretanto, a dúvida permanecia: como falar de Literatura, tema assustador para alguns, sem o peso e a formalidade que a cercam?</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de ser colunista, sou professora de Literatura. E como tal costumo ouvir de meus alunos dizerem, “Ah!!! Literatura é chato!”, “A pra que serve Literatura?”, “Eca! Tem que ler Literatura?”. E pensando nesses seres que me motivam tanto (não estou sendo irônica!), e numa vontade de desmistificar o universo dos livros e da cultura letrada, acredito que o tom de nossas conversas deva ser leve, tranquilo e, principalmente, apaixonante.</p>
<p style="text-align: justify;">Se pensarmos no significado de tom encontraremos a seguinte definição:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Altura de uma nota. Modo de expressar-se em que se reflete um estado de ânimo. Caráter geral; estilo. Colorido, cor, matiz. Som monótono que em um telefone indica que a linha está disponível.</em></p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o <em>Dicionário Escolar da Língua Portuguesa</em>, da Academia Brasileira de Letras, tom refere-se ao som, a altura de uma nota musical. Se aplicarmos a conversa, tom seria o volume da fala das pessoas. Mas tom não se refere apenas a isso. Tom tem a ver também com a forma como você se expressa que pode ser frio ou caloroso. Pesado ou leve. Grosseiro ou delicado.</p>
<p style="text-align: justify;">Eis aí um grande desafio: tratar de Literatura de modo leve, delicado e caloroso. E se analisarmos o nome da coluna, o tom precisa ser descontraído e saboroso. A combinação pode parecer rara, porém Literatura se assemelha à degustação de uma refeição. Cada página virada percebe-se um novo detalhe, uma nova imagem, uma nova cor. Às vezes deslumbram-se sons e ruídos. Toques e perfumes. Visões e sensações. Ideias e revoluções.</p>
<p style="text-align: justify;">À medida que adentrarmos no universo da Literatura, formado por inúmeras obras, dos mais variados gêneros, conheceremos um mundo construído exclusivamente de <strong>palavras</strong>. Palavras estas que nos seduzirão e que nos transformarão em estátuas de gessos, tais como as baratas clariciana, do conto “A quinta história”. E uma vez estátuas, torna-se difícil não agir assim numa próxima leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, nossa conversa será de um tom ameno, suave e bem-humorado. Terá ainda uma pitadinha de ironia, que não faz mal a ninguém (ou faz?). Ao se eleger leveza e humor, prioriza-se a descontração, a naturalidade da conversa. Entretanto, não pense que nossas trocas de ideias e de impressões serão marcadas pela superficialidade. Pelo contrário, falar de Literatura é falar de questões primordiais como cultura, sociedade, política, que a meu ver são essenciais; porém, tais reflexões podem ser conversadas sem a formalidade da Academia.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-335" title="Livro" src="http://prosaemverso.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Livro.jpg" alt="Livro" width="240" height="249" />A Literatura deve fazer parte de nossas vidas, assim como o café da tarde ou a visita ao dentista: podemos não tomar café ou não ir ao dentista, mas a vida será melhor se os incluirmos em nossa rotina. Além disso, pode até dar trabalho entender um texto literário plenamente, contudo não nos fará mal ler até o fim <em>Dom Casmurro</em>, <em>A hora da estrela</em>, <em>Agosto</em>, <em>Cidade de Deus</em> ou qualquer outro romance, novela ou conto!</p>
<p style="text-align: justify;">O importante é que a Literatura seja discutida constantemente. Porque a arte não exige grandes investimentos, momentos ou eventos. Ela só pede leitura e entrega. E mais do que isso, Literatura é um direito, como já disse Antonio Candido.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(&#8230;) literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há  homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contacto com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabuloso</em> (CANDIDO, 1995, p. 242).</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu texto “Direito à literatura”, o crítico literário defende que não só a Literatura como também a cultura de forma geral, são fundamentais para a formação do individuo. A Literatura desenvolve no ser humano a humanização “na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante” (p. 249). Ou seja, Literatura é primordial na formação de qualquer um, seja homem ou mulher, seja pobre ou rico. Com ela, podemos adquiri novas experiências, novos conhecimentos; viajar ou simplesmente sonhar, como diz Antonio Candido.</p>
<p style="text-align: justify;">Sendo assim, conversemos sobre Literatura de modo natural e, principalmente, apaixonadamente. Porque a paixão agrega vida, calor e tempero! Experimente comer algo, como arroz, sem tempero algum? Com exceção dos casos de colesterol alto, a vida pede tempero e Literatura! Muita Literatura!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Textos citados</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Clarice Lispector: “Quinta história”, IN: <em>Felicidade Clandestina</em><em>.</em> 7 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991.<br />
Clarice Lispector. <em>A Hora da Estrela.</em> 22 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993.<br />
Machado de Assis. <em>Dom Casmurro.</em> São Paulo: O Estado de São Paulo, 1997.<br />
Rubem Fonseca. <em>Agosto.</em> São Paulo: Companhia de Bolso, 2005.<br />
Paulo Lins. <em>Cidade de Deus.</em> São Paulo: Companhia de Bolso, 2007.<br />
Antonio Candido: “Direito à Literatura” IN: <em>Vários Escritos.</em> São Paulo: Duas Cidades, 1995.</p>
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