Próxima parada: Estação Literatura!
Por Cláudia Dans em Conversa metafórica!
Quando revirava meu arquivo de notícias da internet em busca de inspiração para coluna, reli uma reportagem publicada em 23 de dezembro de 2009, na Folha Online. O texto falava das máquinas de vender livros que operam nas estações do Metrô. Segundo a Folha, são 16 máquinas distribuídas em 16 plataformas do Metrô, e que vendem Machado de Assis, Julio Verne, Sherlock Holmes e Nietzsche!
Rapidamente, lembrei-me do meu tempo de estudante, quando ia para faculdade de metrô e lia durante o percurso. Oh, tempo bom!!! E mesmo hoje, já formada, ainda faço isso com grande prazer! Claro que dormir também está incluído no item prazer que os meios de transportes proporcionam, mas fiquemos somente na leitura!
Além disso, era comum quando entrava em algum vagão do metrô, pensar que estava em alguma sala de leitura ou na biblioteca, pois eu não era a única leitora! Já cheguei a contar mais de 4 pessoas lendo no metrô ou no trem (meu meio de transporte preferido!). Obviamente não sei se essas pessoas compraram seus livros nas máquinas, contudo sei que todos liam os mais variados gêneros.
Mas voltemos à reportagem e o porquê dela ser citada.
E o leitor saberia dizer por que a citei? Se a resposta é preço de livros, a resposta está… CERTAAAAAAAAA.
Os livros nessas máquinas custam de R$ 2 a R$ 10. São edições simples, de papel jornal e formato pequeno, que segundo o idealizador do projeto barateia muito o valor do livro. Imagine comprar dois livros e pagar apenas R$ 6? É uma ótima forma de estimular a leitura de grandes autores e histórias. Porque se você comprar numa livraria, dependendo da edição e da editora, o livro pode sair o triplo disso, e infelizmente poucos tem R$ 18 – ou mais do que isso – para comprar apenas um.
Isso ilumina também o porquê, nos últimos tempos, têm surgido tantos sebos (lojas de livros usados ou não tão usados assim) aqui em São Paulo: o valor dos livros. E se os livros são caros, afastam-se os leitores. De acordo com uma outra reportagem da Folha OnLine, com base num estudo divulgado pelo Instituto Pró-Livro, “apenas 7,47% da população brasileira compra livros não didáticos e destinam à literatura o equivalente a 0,05% da renda familiar”.
Ou seja, muito pouca gente destina algo de sua renda a comprar de Literatura! Confesso que não sei precisar 7,47% de outra forma, mas sei que uma parte muito pequena da população brasileira compra livros. Agora como estimular a leitura, se os livros são caros? Por exemplo, adquiri recentemente um livro de contos de Bernardo Carvalho, chamado Aberração, da Companhia das Letras. E sabem quanto paguei? R$ 42. Caro, não? Sim, caro para quem não tem R$ 42 no bolso.
Agora vamos a um outro exemplo. Comprei num sebo, um livro do mesmo autor e paguei por ele apenas R$ 17. Se fizermos as contas, a diferença é de R$ 25. Valor que posso usar tranquilamente para comprar outro livro. É claro que obras de autores contemporâneos como Bernardo Carvalho, são raros de se encontrar num sebo, contudo, às vezes a sorte colabora! Porém, o que esses valores indicam é que livro no Brasil é um objeto de luxo, que pouco tem acesso.
Com alguém poderá dizer que há bibliotecas. Claro que há! Tanto que o Metrô tem em cinco estações do Metrô, bibliotecas que desde 2004, já emprestaram 173.694 livros. Isso só na estação Paraíso do Metrô! As bibliotecas do Embarque na Leitura localizadas em cinco plataformas, emprestam livros de vários gêneros textuais e melhor, de graça! Já fora do Metrô, existem as bibliotecas municipais, agora será que elas têm os grandes nomes da Literatura contemporânea brasileira ou alguma obra vampiresca recente? Difícil saber, mesmo porque a que tinha próxima da minha escola desapareceu, depois de tantas mudanças de local. A verdade é que há poucas bibliotecas no país e as que existem, sobrevivem às duras penas.
É um problema grave, que passa pela situação econômica e social do país. Mais do que dinheiro, falta-se estimulo para se comprar livros. Ainda mais quando o dinheiro é curto demais, até para o básico. No entanto, é possível consumir boa literatura se não nos preocuparmos muito com a apresentação do livro. Eu mesma já comprei um livro de papel jornal, e lembro-me que paguei mais barato que a edição “normal”, digamos assim!
Editoras como a Companhia das Letras tem uma linha de livros chamada Livros de Bolso, que publica autores contemporâneos em livros de papel jornal e com um valor mais baixo que numa edição tradicional. Uma ótima maneira de levar Literatura de qualidade para quem tem pouco acesso, especialmente, financeiro. Além disso, a L&PM seguem o modelo livro de bolso, assim como a Martin Claret que possui um belo catalogo de grandes autores apresentados em belos livros. E com um belo atrativo: preços acessíveis. Ou seja, para ler um bom livro não se precisa tanto: só interesse em ler e algumas moedas! Agora se faltar moedas, um cartão de empréstimo de biblioteca soluciona tudo, especialmente, o desejo de ler no metrô!
Sites citados:
Ilustrada, Folha Online.
Embarque na Leitura, Companhia do Metropolitanto de São Paulo – Metrô.
Wikipédia – A enciclopédia livre.
CSPB – Confederação dos Servidores Públicos do Brasil.









Olá minha querida,tudo bem com você?
Bem em primeira mão quero dar-lhe mil parabéns pelo tema abordado.
Sabe Claudinha,o nosso país infelizmente não favorece o hábito e muito menos a prática da leitura,como você mesma citou os livros são carissímos e publicar um é mais ainda.
Confesso a você que eu adoro a companhia de um bom livro tantos literários,contos,romances e etc…
O livro que estamos lendo no momento,te digo lendo em coletividade pois quando chega um novo por aqui fica a disputa de quem ler primeiro aff é a té engraçado.
Infelizmente essa problemática no Brasil é grande,recentemente estive na bienal do livro aqui em São Luís e saí de cabelo em pé com a exorbitância do preço lá,inadimissível aff absurdamente CARO!!!
Meu marido reclamou logo,os livros do Mário Quintana e da Clarice Lispector ia pra lá de 50,00 aff…livros de R$ 10,00 só infantis mesmo e olhe lá…
Mas olha Cláudia,adoro demais sua coluna,é muito boa mesmo!!!
Obrigada pelas dicas valiosas que vc nos deu.
Um beijo!!!!!!!
Oi Cláudia tudo bom ???
Amei o texto,as indicações e as estatísticas abordada por você aqui nesse texto…Perfect!!!
Devido a realidade pelo qual o nosso lindo Brasil se encontra,só me resta procurar bons livros no SEBO!!!
É o jeito se não meu dinheiro acaba e não tomo nehum sorvete.
A Martin Claret vende até nas farmácias,adoro !!!
Beijos.
Oi Cláudia
Texto bem bacana pra quem se interessa por leitura não é mesmo?
Bem além do sebo,ultimamente tenho comprado meus livros nas lojas americanas,acabei fazendo propraganda sem eles merecerem rsrsr,mas apesar das edições estarem mais comercial e simples eu por exemplo paguei R$ 9,90 do livro código da Vincci e o mesmo preço em Anjos e Demonios de Dan Brown.
Leitura é uma viajem,gosto de verdade sabia?
Comecei ler antes dos 4 anos e mamãe já comprava muitos livros pra nós,lembro-me perfeitamente que eu lí umas 4 vezes uma bíblia ilustrada que ela me deu.
Mas o que fazer né? é o nosso país que não facilita nada pra ninguém.
Um abraço.
Oh que lindo! A família Cajado toda comentando! Vamos aos agradecimentos!
Sandra!
obrigada pelo carinho de sempre! E realmente, livro no Brasil é caro de mais, o que acaba afastando muito os leitores. E até quem tem como comprar um livro acha um absurdo pagar mais de R$ 50 por dois livros??
Você falou da Bienal, né? Também costumo frequentá-la quando ocorre aqui em São Paulo, mas só vou no último dia. Sabe por quê? No último dia sempre tem promoção! rsrsrs É nessa hora que consigo bons livros por um bom preço!
beijos
Oi Jéh
obrigada pelos elogios! E você faz bem em buscar os livros no sebo! Uma boa parte da minha biblioteca – ela ainda é pequena, tá? – é formada por livros de sebo! Claro que tem algum livros velhinhos, mas tenho outros que estão novinhos, como se tivesse comprado na loja. Mas não, comprei no sebo!
E que ótimo lugar para se comprar livros! Na farmácia! rsrsr Realmente um ótimo remédio para alma!
Beijos e obrigada pelo carinho!
oi Rafa!
Você comprou livros nas Lojas Americanas ou no site? Pergunto, pois já comprei uns livros pelo site e quase morri do coração! Depois que comprei, descobri que eles não tinham os livros! Ridículo, né?
E aqui em Samba, O Codígo Da Vinci, quando foi lançado, custava por volta de R$50! Hoje em dia, você o encontra por R$ 9,90! E isso em livravia grande! É o que eu chamo de super mega hiper promoção!
Mas você está certo quando diz que aqui no Brasil, ninguém facilita pra ninguém! O jeito é fazer como a Jéh, buscar livros nos sebos ou esperar as super promoções, né?
Beijos e obrigada pelo comentário!
Oi professora!
Eu nunca comprei livros no metrô, mas pelo preço vou até pensar em comprar. Mas esses livros mais baratos são apenas resumos ou são as obras completas?
são baratos assim só por serem usados?
essa eu não posso perder…
ah! eu gostei dos primeiros paragráfos do texto, gosto quando a senhora fala do seu tempo de faculdade kkk
oi Karine!
O preço é muito bom, né? E pode comprar sem medo, pois são obras completas sim! Esses livros são mais baratos, pois foram editados em papel jornal, e também porque já cairam em domínio público: qualquer pessoa pode publicar um texto, como do Machado de Assis, sem precisar pagar os direitos autorais!
E que bom que você gosta de ouvir e ler sobre o meu tempo da faculdade! rsrsr Mas não se preocupe, você também vai ter o seu tempo! rsrsrsr
Beijos e obrigada pelo comentário!
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Prosa em Verso
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(…)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
“Trouxeste a chave?”
(Carlos Drummond de Andrade)
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