Verdade inconveniente
Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo
Nunca antes na história deste país, o Brasil teve um governador preso durante o exercício do mandato. José Roberto Arruda foi preso no dia 11-02-2010 a por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Junto com ele foram preso mais quatro pessoas.
Pela segunda vez em sua curta carreira política, o ainda governador José Roberto Arruda é protagonista de um grave escândalo político. Desta vez envolvendo corrupção e com evidências amparadas em imagens que, se “não falam por si” – como afirmou o presidente Lula, querendo, uma vez mais, evitar qualquer condenação a priori e enfatizar a importância do trâmite legal –, são eloquentes para justificar uma condenação na Justiça.
A mídia – nacional e local – não acompanhou os desdobramentos do pedido de providências judiciais encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) à Procuradoria Geral de República (PGR) no dia 9 de fevereiro, terça-feira. O pedido incluía o afastamento de Arruda da chefia do GDF e sua prisão preventiva. Na quinta-feira (11/2), dia da prisão, todos parecem ter sido pegos de surpresa, pois não foram capazes de antecipar nem a ação do PGR e muito menos a rápida decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
As notícias publicadas pelos jornais locais impressos estão favoráveis ao governador preso. Os jornais querem vê-lo solto para a garantia das verbas locais de publicidade.
A rapidez com que a informação de que o STJ estava votando o pedido de prisão de Arruda se espalhou pelo Distrito Federal, na tarde de quinta-feira (11), é mais uma comprovação da imensa capilaridade da internet. Celulares, e-mails, twitters e blogs estiveram quase sempre à frente das agências de notícias tradicionais. Destaque-se o trabalho editorial da rádio CBN que desde o primeiro momento colocou a sua equipe de repórteres na rua acompanhado todo o processo do trabalho. O ato falho ficou por não acompanhar a decisão da Procuradoria Geral da República.
A curiosidade na cobertura da mídia fica por conta dos comentários dos leitores de blog e site dos jornais de Brasília com o termo Barra Pesada. Barra Pesada é o nome de um antigo programa policial apresentado, em horário local pago, por Geraldo Naves. O programa mostrava os homicídios na TV sem censura ou disfarce com o mosaico. Os comentários dirigidos a Geraldo Naves sempre tinham barra pesada.
Geraldo Naves ficou famoso na capital federal pelo bordão “O que é barra pesada para você, meu amigo?”. Naves virou suplente de deputado distrital com o intuito de ajudar a população candanga, mas não ajudou e foi preso por corromper o trabalho da Justiça. Agora Naves está preso, temporariamente, no presídio da Papuda. Lugar que ele frenquentava como jornalista. Agora está como morador e todos perguntam: “Geraldo Naves, o que barra pesada para você, meu amigo?”.
Com a evolução da tecnologia, a notícia evoluiu, mas os furos não passarão despercebidos. O trabalho das rádios é notável porque colocaram todos os repórteres na rua. O estúdio ficou apenas com o gerente de jornalismo coordenando a equipe e passando informações aos ouvintes.












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