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O rápido vagar com que as coisas passam…

14 Fevereiro 2010 6 comentários

Por Guilherme Nogueira

Tempo, parceiro e algoz.

Um suspiro, ele deu. Eternos três segundos se passaram naquela inalação, repleta de perfumes não sentidos, de lembranças carcomidas, de formas e de cores, todavia, inodora. Longos três segundos, sofridos, silenciosos. Foi o mesmo tempo que ela gastou para respondê-lo: “também estou com saudades… morrendo de saudades”!

Os jogos que o coração joga, na alma despertam fantasias, movimentos, sutilezas, espantos. Bastava mais um segundo para que aquele “também estou com saudades” levasse a um “volta para mim”? Outro segundo se passou, todavia, sem nada ser dito, com o completo controle da alma sobre a reação, perante a emoção. Tempo em que o coração, valente para se expressar, porém temeroso de uma reviravolta indesejada, disparou: “agora, não sei o que dizer”. E o que se diz quando o pranto é suplantado por um sorriso de boa sorte, que vai correndo velozmente até seu destino, dizer, sem nada buscar em troca, “espero que você fique bem”?

Eternos são os segundos que se passam entre os ofegantes sentidos dos corações desiludidos. Momentos de terror, pânico, sofrimento, escassez de vida, tão vivamente sentida. Eternos momentos de mudanças, que, visto a força daqueles que decidem não se abater, tardam pouco a se cessar. Ênfase no tardar, deve ser dada, contudo. Pois, ainda que pouco, que brevemente, tais momentos tardam sempre mais do que se gostaria…

Segundos são unidades estáticas, todavia. Aquelas que dividem os curtos minutos em frações. Para um olhar externo, aquele de quem apenas vê o rosto se fazendo mais límpido, mais calmo, são divisões insignificantes. Para quem os vive eternizados em seu lânguido passar são, pelo contrário, inimigos cruéis. O tempo amigo, que cura as feridas abertas pela e ao longo da vida, é formado de eternos inimigos cruéis.

O tempo, transcendentalmente, se sobrepõe à sua estrutura, fazendo-se, sim, aliado da mudança ao bem-estar. E para as almas de boa vontade, feridas, todavia firmes, seja a eternos segundos de sofrimento ou longos instantes de retidão, a mudança de ares se faz indefectível. Desta forma, dentro de poucos dias, formados por horas de minutos, de segundos, aquele tempo sofrido, perdido entre o “também estou com saudades” e o “agora não sei o que dizer”, transforma-se em novos sorrisos. Serenos sorrisos, de quem muito sentiu em tão pouco tempo, resultam em novos suspiros. Estes, por sua vez, bem mais aprazíveis. Brevemente, portanto, embora, paradoxalmente, longamente, o tempo é vivenciado. Suas lições ficam, para aqueles que buscam absorvê-las. Sutilmente, a vida segue seu curso, e as pedras do caminho, tornam-se areia. A alma se suaviza. Lavada e efêmera, busca por novos suspiros, até o dia em que o tempo seja apenas tempo, nem rápido, nem lento, nem parceiro e nem algoz.

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Guilherme Nogueira é colunista do Prosa em Verso.

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6 comentários »

  • S.C Arte&Cultura said:

    Oi Gui…

    Aii amigo como eu viajei nesse texto,tô adorando esses novos posts.

    A sua sensibilidade na escrita tá tamanha e a sincronia das palavras se misturam em devaneios e verades.

    Mas de uma coisa eu garanto a você,o tempo cura todas as coisas e eu te falo isso por experiência própria.

    Ah o texto,só tenho uma palvra,FANTÁSTICO.

    SOU SUA FÃ GUI.

    O tempo, transcendentalmente, se sobrepõe à sua estrutura, fazendo-se, sim, aliado da mudança ao bem-estar. E para as almas de boa vontade, feridas, todavia firmes, seja a eternos segundos de sofrimento ou longos instantes de retidão, a mudança de ares se faz indefectível. Desta forma, dentro de poucos dias, formados por horas de minutos, de segundos, aquele tempo sofrido, perdido entre o “também estou com saudades” e o “agora não sei o que dizer”, transforma-se em novos sorrisos. Serenos sorrisos, de quem muito sentiu em tão pouco tempo, resultam em novos suspiros. Estes, por sua vez, bem mais aprazíveis.

    Beijos da sua amiga e muito sucesso!

  • Rafa Cajado said:

    Muito profundo nas palavras,adorei o texto!!!

    Parabéns cara.

  • Jéh Cajado said:

    Realmente seu texto está bem profundo e tocante,adorei a sincronia das palavras e a verdade vivenciada.

    Como minha mãe disse,o tempo cura todas as coisas.

    Parabéns Guilherme,um beijo.

    Jéh.

    Suas lições ficam, para aqueles que buscam absorvê-las.

  • Tiago Velasco said:

    Fala, rapaz!

    Bom, isso, hein? Como uma poesia em forma de crônica, ou seria uma crônica poética? Importa menos do que o texto, claro!

    Parabéns!

    abs,

    Tiago

  • Hélia said:

    Oi, querido!!

    Tocante…

    Quem nunca passou por momentos assim…?

    Aqueles segundos que parecem eternos, entre o que vc diz e o que você espera que a pessoa diga… e quantas vezes o silêncio nos diz tanto, nos grita tanto!!

    Eu me vi nesse texto, me lembrei de um dia que se perdeu no tempo, mas não em minha mente, em que quis muito dizer “Sim… vou…”, mas achei melhor dizer “Não sei o que te dizer agora”… e de uma despedida com “Fique bem”, quando a vontade era bem outra…

    Na verdade, a gente constrói e muito o próprio destino… quando fazemos escolhas de caminhos nas encruzilhadas da vida!!

    ^^

    Beijos, amei seu texto!!

  • Guilherme Nogueira said:

    Muito obrigado pelos comentários, caros amigos. Mais importante do que sentir para escrever é receber feedbacks tão legais.

    Bjo no coração de todos!

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