A economia do coração partido
Fatores que fazem do tempo e da poesia também um componente da vida prática
Por Guilherme Nogueira em Politiconomês
Meu pai um dia me falou que para tudo na vida existe uma ciência. Isto foi mais ou menos na época em que me tornei pesquisador e entendi que meu caminho era o de buscar entender as teorias por trás das coisas, e passá-las adiante.
Como um cientista curioso, ainda longe de lograr qualquer mérito, todavia esforçado, me vejo vivendo em eterno retorno, ao cerne da ideia expressada por meu pai. E nesta bossa não tão nova, busco sempre entender as situações da vida – mesmo as mais esdrúxulas. Foi assim que me perguntei esses dias: qual será a ciência do coração partido?
Acho que posso aqui dizer, que o coração partido é uma dor de querer bem. Sensação que se tem quando, em dois, um prefere a distância à presença; a divisão à partilha; a solidão ao aconchego do abraço. Resta ao outro um vazio que não se preenche, que, mesmo cheio de esperança, de forças e de palavras amigas, resta cavado de saudades. Coração partido é a ausência de alguém querido, que por suas razões, sempre muito justas, decide parar de nos prender as partes do órgão vital.
Para a biologia, pode ser que o coração partido seja um fato inexistente. Para a matemática, a soma de um mais um que termina em subtração. Para Vinícius, Tom, Baden Powel e outros igualmente nobres, o motor de muitos sambas. E para a economia, me parece, é a falta de um recurso necessário para o bom funcionamento do sistema vida.
Economia é o uso de recursos escassos para a produção de valores, e a alocação dos mesmos entre diversas partes. E o coração partido, a ausência de alguém querido, necessário para a união de suas metades. Parece-me assim que, na prática da vida, a economia peça por um alento que já não existe.
Mas a vida deve seguir, e segue, mesmo que capenga de recursos. Tal como seguem todas as coisas que existem, mesmo quando insistem em existirem desfalcadas. E, existindo como um sistema vivo, retornam à harmonia, auxiliadas pelo fator tempo. Eis que, na economia do coração partido, se dá o processo de substituição de fatores de produção: na ausência do bem querer, que unia as partes agora deslocadas, produzindo, assim, desalento, entram tempo em serenidade, curando os pesares que a tal ausência causou, produzindo, com isso, maturidade.
E, como dias melhores, não obstante seja a tormenta, sempre virão, há de chegar o dia em que bem querer e maturidade se casarão, lapidando, com isso, o processo antes arranhado, pela economia do coração partido.









“Coração partido é a ausência de alguém querido, que por suas razões, sempre muito justas, decide parar de nos prender as partes do órgão vital.”
Querido esse texto tá fantástico,você se superou no texto e conseguiu mesclar,poesia,economia,prosa,verso e etc…
Mil vezes parabéns,eu sou sua fã de carteirinha…
Muito obrigada pela visita na minha coluna por que eu sempre vou estar por aqui…
Beijos e muito sucesso pra você!!
Perfeito…
Me vi em cada palavra, em cada momento descrito…
Com sutileza, delicadeza e muita sabedoria você conseguiu descrever exatamente o que acontece dentro da gente…
É esse o motivo de eu sempre buscar suas palavras, sempre…
Beijos!
E nesta bossa não tão nova, busco sempre entender as situações da vida – mesmo as mais esdrúxulas. Foi assim que me perguntei esses dias: qual será a ciência do coração partido?
Olá Guilherme,tudo bem?
Diante de um texto tão completo só chego a seguinte conclusão,além de economista você é um excelente “POETA”.
PARABÉNS…ADOREI SEU TEXTO!
Oi Gui…
Depois nos faça uma visitinha lá no site!
http://sandracajado.com.br/
Muito obrigado pelos comentários, caros amigos, e pelo carinho também. O objetivo deste texto foi mesmo o de me aproximar mais dos leitores da coluna, mudando a pauta, tentando, ainda que pobremente, aproximar razão de emoção… Fico feliz com este retorno, que mostra que o resultado não foi tão mal assim…
Grande beijo no coração de todos!
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