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A plataforma custa caro

4 Fevereiro 2010 Um comentário

Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo

Muito se falou sobre o lançamento do tablet da Apple na semana passada. O iPad foi comparado a um iPhone gigante, teve seu nome ridicularizado (pad, em inglês, além de significar “bloco” também é sinônimo de absorvente feminino) e foi criticado pela falta de artefatos como telefone, câmera e o útil sistema multitarefas. Assim como no iPhone, no iPad não será possível fazer duas coisas ao mesmo tempo – como, por exemplo, ler e-mails e ouvir música. Steve Jobs, o fundador da Apple, apresentou o iPad como o rompimento da fronteira entre o laptop e o smartphone.

De fato, ele representa uma ameaça de peso para os leitores eletrônicos, como o Kindle, da Amazon, e o Nook, da Barnes & Noble. A Amazon impunha o preço de 9,99 dólares por e-book e ficava com 70% da receita. Sabe-se que a Apple procurou editoras oferecendo liberdade para a marcação de preços dos livros e 70% da receita – para elas. Curiosamente, a Amazon, pouco antes do lançamento do iPad, mudou as regras de preços em alguns livros.

Já a ideia de que o novo tablet poderia ajudar a salvar os jornais pareceu mais distante agora que o iPad se materializou. Seria ele realmente relevante para a indústria da mídia impressa, ou apenas mais um brinquedo eletrônico?, questionou artigo publicado no diário britânico Guardian. O jornalista David Carr, do New York Times, discorda dos críticos que dizem que Jobs lançou apenas um iPhone que não cabe no bolso.

Sobre a falta de apetrechos, Carr afirma que se trata de um aparelho para o consumo de mídia, e não para a criação de mídia. Para ele, o iPad só irá funcionar em toda a sua glória – pelo menos em termos jornalísticos – se as empresas de mídia fizerem por onde.

O New York Times já criou um aplicativo para o aparelho, apresentado durante seu lançamento. Nele, o leitor pode adequar o tamanho do texto a seu gosto, ampliar ou diminuir as imagens e assistir a vídeos publicados junto às matérias. No Kindle, a assinatura mensal do NYTimes custa 13,99 dólares.

E, assim como esquenta cada vez mais a discussão sobre o pagamento de conteúdo jornalístico na internet, deve surgir agora um novo debate sobre o melhor modelo de negócios para os aplicativos de jornais e revistas no iPad. Será preciso definir também a relação entre estes veículos, os leitores e a Apple. E, finalmente, as editoras terão que contornar um empecilho básico: o aparelho não roda conteúdo em Flash, software muito usado para vídeos, animações e dispositivos interativos na web.

Um comentário »

  • Tiago Velasco said:

    Eu não entendo de tecnologia, mas acho engraçado uma nova tecnologia só dar certo se os produtos que serão veiculados nela se adaptarem a ela. Me parece que há algo errado na direção deste fluxo. Se o Flash é muito usado, o tal do iPad tinha que rodar Flash, e não tentar obrigar os jornais a não usarem. pq logo um concorrente vai fazer uma pedrinha eletrônica dessa em que as ferramentas já utilizadas rodarão.
    As pessoas costumam ficar muito impressionadas com novas tecnologias, mas esquecem que elas não são os fins, mas uma ferramenta, o meio. As tecnologias só fazem sentido através dos usos que nós, os seres humanos, damos a ela. Não há tecnologia revolucionária. Há usos revolucionários.

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