Prazo
Colunista confessa que tem sérios conflitos com prazo. Não em cumpri-lo, mas em conviver com ele.
Por Tiago Velasco em Escrevinhando
Tenho um problema com prazos. Não em cumpri-los. Um problema com eles. Assim, é uma relação, como no velho clichê, de amor e ódio. Talvez seja porque eu saiba que sem ele me entrego ao completo ócio. Daqueles não-criativos. Não tenho problema em não produzir. O meu problema são os prazos.
A minha relação ruim com o prazo talvez seja porque escancara para mim que algo precisa ser feito até uma data ou hora-limite. E como não tenho problemas com a improdutividade, pelo contrário, tenho até um apreço romântico, fetichizado, eu sei, o tal prazo me lembra a todo o momento que resta menos tempo para dar cabo daquilo que precisa ser feito.
Mas, como eu disse linhas acima, há espaço, nessa relação conflituosa, para o amor. É porque sei que sem ele – o prazo – as chances de eu fazer algo, ou produzir, como preferirem (e me parece que a palavrinha “produção” está envolta de adjetivos positivos, embora, na essência, fazer algo não é necessariamente melhor do que não fazer), são ínfimas. Quer dizer: eu sei que sem o tal compromisso, nada sairá de mim.
Há até aqueles que creem que eu trabalhe melhor – ou seria funciono, como um relógio mecânico? – sob pressão. Não estou certo. É que na tentativa de burlar o prazo, mesmo sabendo de antemão que vou ceder a ele, acabo deixando tudo o que precisa ser feito para os instantes finais. Nesta minha relação com o prazo, não há um só momento em que a ansiedade não me tome conta. Noites mal dormidas e a eterna sensação de culpa são constantes.
O ódio em relação ao prazo é porque sei que ele, no fim, sempre me vence. Talvez se eu aprendesse a lidar melhor com esta frustração, o prazo passasse a ser irrelevante na minha vida. A resignação pode ser, com o perdão da rima, a solução. Vai saber…









Prazos e escritores, vivem em constante luta, talvez porque o tempo sendo relativo, se torna flexível ou curto, na mesma razão inversa do final do dito cujo.
Assunto que todos aqui conhecemos bem, parabéns!
É quase como uma data de validade, não é mesmo? A vida também é assim. Ao nascer sabemos que vamos morrer. Temos um prazo para cumprir aqui na Terra! Haha! Um abraço.
rsrs…
Se o prazo é algo complicado para qualquer ser humano, imagine um artista, um escritor…
Eu me enxerguei nesse seu texto também… Não gosto de ter prazos, detesto que me pressionem, me incomoda ter que criar em determinado tempo estipulado…
Mas se não me dão o prazo também, fico enrolando… justamente porque sei que conseguirei produzir e que no final tudo dará certo!!
Adorei a confissão!! Confesso junto, aqui, o mesmo!!
Beijão!!
Nossa! Também sou enrolada que dói. Faço tudo na última hora, sou incapaz de marcar até uma viagem com antecedência de 01 dia. Aqui comigo é tudo corrido e na hora.
Adoro sua coluna.
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Prosa em Verso
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(…)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
“Trouxeste a chave?”
(Carlos Drummond de Andrade)
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