Reconhecimento
Por Tatiana Kielberman
Talvez o ser humano leve um tempo justo até que possa olhar para si e saber que há a presença da falta. Freud já falava disso brilhantemente em sua obra, e cada vez mais nossa própria alma informa que não é possível enganar-se por uma vida inteira.
É nítido que buscamos disfarçar a ausência de afeto com um sorriso forçado, trazendo a falsa ideia de que o inferno mora ao lado, jamais na casa da gente… Acima de tudo, negamos até o fim o fato de que o nosso ódio é a faceta mais mascarada de nosso amor, e que é a esse mesmo amor que devemos direcionar o nosso olhar atento…
Eis, então, que perdemos ou nos fazemos perder o tão desejado calor humano, a tão almejada e idealizada figura de representação do amor. Neste momento nasce a revolta, que é amiga da raiva e não nos deixa enxergar um palmo acima de nossos olhos.
O que esperar? Para onde ir?
Nosso coração, na estranheza de um asco incompreensível, busca refúgio nas profundezas de nosso íntimo, e nele se aloja sem prazo de retorno. Permeado por um fôlego inabalável, nosso ego emerge com respostas imediatas, instantâneas, tão absolutas que parecem distantes da emoção em si, por mais que estejam repletas dela – escondida.
Surge então a possibilidade de respirar fundo e não mais manter o contato com aquilo que era, anteriormente, doloroso. Se podemos passar imunes, por que não sintetizar? Comemoramos a insossa vitória de estarmos longe de nós mesmos e, consequentemente, de nossa falta. Somos, por um momento, os seres mais felizes da face da Terra, já que nossos problemas se encontram cobertos de areia, numa construção bem feita para que não haja a aflição da angústia.
Ao longo da vida, passamos inúmeras vezes por esse conflito, principalmente por não aceitarmos compreender a incompletude dos fatos. Pode demorar anos até que nossa alma possa se incumbir de olhar mais a fundo e, então, retirar todas as máscaras que encobrem o verdadeiro ser.
Quando esses disfarces finalmente se transformam em pó, podemos reconhecer em nós mesmos e no outro o valor autêntico das relações. Assumir os erros, ser o que realmente somos, virar a página – talvez estes sejam os elementos mais fundamentais e difíceis de se aprender, e por isso são tão valiosos ao enriquecimento espiritual.
Para se alcançar a plenitude dos fatos, é preciso não apenas buscar uma vez, mas tentar em inúmeros momentos, quantas vezes forem necessárias… O coração jamais se cansa de amar, e não esquece o significado da palavra ‘perdão’. Pode, por vezes, parecer amargo e sem vida, mas sabemos que sua essência é perfeitamente visível quando as portas são abertas para o amor entrar.
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Tatiana Kielberman, 22 anos e nascida em São Paulo, onde moro até hoje. Estudo no Mackenzie e estou cursando o último ano de Psicologia. Atualmente trabalho no Grupo Foco e faço parte da equipe de Comunicação Corporativa, que mescla as áreas de Recursos Humanos e Jornalismo! É uma área bem interessante, que possibilita um crescimento sem igual e expande horizontes para o contato com o mundo.
Contato: tatikielber@yahoo.com.br
Blog: http://www.retratosdaalma.zip.net
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Para se alcançar a plenitude dos fatos, é preciso não apenas buscar uma vez, mas tentar em inúmeros momentos, quantas vezes forem necessárias… O coração jamais se cansa de amar, e não esquece o significado da palavra ‘perdão’
Menina que sensibilidade pra escrita!
Já sou fã e leitora assídua da sua coluna!
Parabéns e muito sucesso!
bejos
Obrigada Sandra!
Suas palavras são sempre muito dóceis e gentis.
Um abraço,
Taty
Olá Tatty!
Muito bom o que escreve,adorei mesmo!
Eu também já escvrí aqui na coluna devaneios e gosto de ver pessoas tão sensíveis na escrita como você!
Parabéns!
Um abraço!
Oi Rafael!
Muito obrigada pelos elogios!
Um abraço,
Taty
Cristal da minha vida , vc sempre arrasando. SEM PALAVRAS. PARABÉNS.
[...] This post was mentioned on Twitter by Rudney Junior and Tatiana Monteiro, Tatiana Kielberman. Tatiana Kielberman said: RT @rudneypjr: RT @tati_monteiro #prosaemverso ~~> Atualização em 'Devaneios' texto de Tatiana Kielberman (@tatikielber): http://bit.ly/c9LREE -confira! [...]
Obrigada mami!!
Um beijo!
Oi, querida…
Eu sempre digo que a vida é um grande baile de máscaras… mas é muito cansativo usar máscaras o tempo todo, e por vezes mostramos muito mais de nós do que realmente queríamos… aliás, é justamente quando procuramos nos esconder que mais nos mostramos!
Você tem uma relação fantástica com as palavras, viu… elas vão fluindo de você e nos envolvendo…
Parabéns pela sensibilidade e pelo talento!!
Beijos!!
Hélia,
Muito obtigada pelo comentário carinhoso!
Continue acompanhando sempre!
Um abraço,
Taty
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Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(…)
Chega mais perto e contempla as palavras.
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tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
“Trouxeste a chave?”
(Carlos Drummond de Andrade)
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