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Terremoto, celebridade e solidariedade

21 Janeiro 2010 3 comentários

Por Diego Seixas em Sobre mídia e jornalismo

Enquanto a consciência de que somos cidadãos do mundo não vem, resta aplaudir o bom exemplo que vem de fora. Refiro-me ao terremoto que feriu de morte o Haiti na terça-feira, 12 de janeiro. Eram 16h 30min em Porto Príncipe, capital haitiana, e o programa A Voz do Brasil estava na metade quando o futuro foi arrancado debaixo dos pés de cerca de 100 mil pessoas. Chegando aos 7 graus na escala Richter, o epicentro dos tremores que teria sido a apenas 10 quilômetros de profundidade foi localizado a cerca de 22 quilômetros da capital.

O palácio presidencial, vários hospitais, dezenas de prédios e até a catedral de Porto Príncipe vieram abaixo. O céu encobriu por completo as nuvens e tudo, em segundos, eram apenas cinzas e fumaça. Caos e devastação aliaram-se à miséria e à violência com que se debatia o país mais pobre do Ocidente. As cenas da destruição podiam eclipsar os efeitos visuais aplicados ao último exemplar do cinema catástrofe, 2012. Nas telas observávamos a engenhosidade dos que sabem das manhas e artimanhas das novas tecnologias, mas na vida os plantões jornalísticos, telejornais e revistas eletrônicas de variedade trouxeram para dentro de nossas retinas dores e angústias extremadas, imagens que capturavam o próprio fio da vida se esvaindo por entre escombros, vidas soterradas por toneladas de cimento e aço.

No Brasil, o foco voltou-se imediatamente para a dor verde-amarela. Dezoito militares brasileiros tiveram suas vidas interrompidas no desempenho da nobre missão a eles conferida pelas Nações Unidas em 2004: manter a ordem e a segurança no Haiti. E dois civis ilustres: a médica sanitarista Zilda Arns e o diplomata Luiz Carlos da Costa, o número 2 da missão da ONU no Haiti.

Zilda Arns tinha encerrado uma palestra em uma igreja em Porto Príncipe quando o tremor começou e morreu ao ser atingida na cabeça por uma laje. Luiz Carlos da Costa, que tinha 60 anos, dedicou sua vida à causa da paz, ingressando no sistema Nações Unidas contando apenas 21 anos de idade, e morreu na sede da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), em Porto Príncipe, conhecida como Hotel Christopher, que ficou completamente destruído pelo tremor.

Essas duas figuras simbolizam muito do Brasil que queremos ter. Zilda Arns, ao fundar a Pastoral da Criança, entidade da igreja católica, em princípios dos anos de 1980, criou e difundiu métodos simples que conseguiram estancar enormemente a mortalidade infantil e suas ações pioneiras correram mundo. A verdade é que o soro caseiro é o outro nome da nossa Zilda Arns. O diplomata Luiz Carlos guarda imensas semelhanças com seu colega de ofício e de trágico destino Sérgio Vieira de Mello, morto em atentado no Iraque em 19 de agosto de 2003. Foram estes os dois brasileiros que atingiram os postos mais elevados na administração das Nações Unidas.

Algo que chamou atenção foi a pronta resposta das celebridades à urgência do momento. Infelizmente não tenho conhecimento pela imprensa de ações louváveis de celebridades brasileiras. Vejamos alguns exemplos luminosos desses que frequentam as páginas de jornais e revistas, que aparecem constantemente em programas de entrevistas e de variedades tanto em emissoras de televisão quanto de rádio; como eles assumem uma dimensão de solidariedade compatível com sua “estatura midiática”.

Oprah Winfrey está apoiando vigorosamente a campanha da Cruz Vermelha Internacional em favor do Haiti, incentivando milhões de seus espectadores a fazerem doações à entidade. A primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama anunciou que 48 horas após o terremoto em Porto Príncipe havia já levantado 5,9 milhões de dólares em apoio também à Cruz Vermelha. Angelina Jolie e Brad Pitt anunciaram que sua fundação estava doando de imediato 1 milhão de dólares para a organização internacional Médicos Sem Fronteiras aplicar em ações de socorro à população haitiana.

Nicole Kidman e Maggie Gyllenhaal, durante a 67ª edição do Globo de Ouro, não titubearam em aproveitar a noite de gala para pedir donativos para o povo do Haiti, usando inclusive um laço azul, vermelho e amarelo como símbolo de apoio ao devastado país. O cantor espanhol Alejandro Sanz, a partir de seu blog pessoal, vem estimulando os fãs a apoiarem economicamente o Haiti e dedicou aos haitianos seu sucesso “Tu no tienes alma”. Outros artistas foram a campo arrecadar contribuições por meio de telefones celulares – é o caso do músico de hip-hop haitiano Wyclef Jean e o ator Ben Stiller, que vem reunindo donativos para a organização não-governamental Save the Children.

Os desportistas também não ficaram de braços cruzados: o lendário ciclista Lance Armstrong, por meio de sua fundação LiveStrong, se comprometeu a entregar 250 mil dólares a Médicos Sem Fronteiras. Uma constelação de estrelas de Hollywood apresentará no próximo 22 de janeiro uma espécie de telemaratona nacional através do canal MTV que se chamará “Esperança para o Haiti”. Detalhe: o programa será exibido em horário nobre (20h) e terá como anfitrião George Clooney, a partir de Los Angeles, enquanto o rapper Wyclef Jean comandará em Nova York e o apresentador da CNN, Anderson Cooper, continuará a apresentação diretamente de Porto Príncipe.

O twitter disse a que veio: além de inflar o ego de celebridades que disputam popularidade pelo termômetro do número de seguidores mostrou ser uma rede social bem desenhada para o exercício da solidariedade e da bondade humanas. O casal de atores Demi Moore e Ashton Kutcher pediu às pessoas que façam doações ao Unicef, assim como Nicole Ritchie, a filha do cantor Lionel Ritchie. Apelos a doações também foram lançados pelo rei do hip-hop Sean Combs, mais conhecido como P. Diddy, pela atriz Jessica Alba, pelo rapper e ator LL Cool J e pelo grupo Artists for Peace and Justice, que tem entre seus integrantes o diretor de cinema Oliver Stone e os atores Josh Brolin, James Franco e Charlize Theron. “Não posso insistir o suficiente sobre a catástrofe humana que representa este terremoto”, declarou o ex-vocalista da banda de rap Fugees, conclamando as pessoas a “agir agora”.

3 comentários »

  • Tweets that mention Prosa em Verso » Blog Archive » Terremoto, celebridade e solidariedade -- Topsy.com said:

    [...] This post was mentioned on Twitter by tiagovelasco and Tatiana Monteiro, Tiago Velasco. Tiago Velasco said: RT @tati_monteiro: #prosaemverso ~~> Atualização da coluna do amigo @dseixas, "Sobre mídia e jornalismo": http://bit.ly/4N56cY – confira! [...]

  • Roberta said:

    Oiisss

    Acho realmente mto triste o que aconteceu no Haiti, pessoas de bem morrendo em uma catatrofe dessa!

    Entre muitas reportagens vi criticas ao artistas que tem doado dinheiro para ajudar, tudo bem que cada um pensa de uma forma, mas acho uma hipocrisia essas criticas…

    Acho que não é hora disso e sim de por a mao na massa e ajudar do jeito que der, afinal de contas é disso que esse pais esta precisando.

    Parabens pelo post! Um beijoo! =)

  • Sandra Cajado said:

    Quem quer ajuda e não precisa falar nada não é mesmo!

    Esse triste fato acontecido na haiti tem mobilizado também pessoas comuns como nós…

    Que todos possamos ser sensíveis a essa tão nobre causa!

    Sucesso pra você!

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