O salão translúcido
Colunista entra em aposento dentro de redoma de vidro onde todos podem ler o que ele pensa
Por Tiago Velasco em Escrevinhando
Caminho em um túnel escuro, daqueles que, ao vermos uma nesga de luz, nos enche de esperança de chegar ao fim. O bom é que o fim do túnel também pode significar o início de algo. O que não quer dizer que seja mais agradável do que a situação anterior. O desconhecido só tem esta condição porque ainda não se revelou.
O fio de luz aos poucos mostra um salão de decoração antiga, rebuscada. Lustres enormes e luxuosos pendem do teto, tapetes pesados recobrem partes do piso de madeira. Nunca vi lugar igual. Nem mesmo em museus. O aspecto físico do salão me toma a atenção completamente por bons segundos. Quando consigo me desligar dos adornos, percebo que não sou o único. Na verdade, há várias outras pessoas. Todos, inteiramente desconhecidos por mim. Alguns, talvez já tenha visto de relance.
Uma mulher acena em minha direção. Retribuo por educação.
“Que bom que chegou. Já achávamos que não vinha mais.”
“Vocês me esperavam? Sabiam que eu vinha?”
Ela sorri sutilmente e me entrega um drinque.
“Claro. Aceitou o meu convite, assim como os outros que aqui estão e mais aqueles que acabam de adentrar o portal.”
Olho rapidamente por onde entrei. Pessoas e mais pessoas chegam. Alguns, tão assustados quanto eu; outros, com uma felicidade notável. Mas todos, sem exceção, estão ali para se divertir. Digo mais: pela maneira que recebem os novatos, também têm a intenção de propiciar divertimento.
Questionar o salão me aparece irrelevante. Estou nele, faço parte dele. Nenhuma alma no recinto é externa ao salão. Ele só existe com essas pessoas. Sem elas, tenho certeza, o salão perde sua razão de ser.
“É quase isso!”, falou a mulher que me recebeu.
“Você leu o meu pensamento?”
“Você é que permitiu que eu lesse. Só leio aquilo que você deixa que se leia. Mas não apenas eu leio”, ela aponta para o alto.
O teto que dava sustentação ao lustre fica transparente. Era possível ver além, muito além dele. Dava, até, para ver uma abóbada de vidro que nos cercava. Estávamos sendo observados por uma infinidade de pessoas por meio de uma redoma. Mesmo assim, não me sinto preso; pelo contrário, tenho uma sensação de liberdade.
“Elas também leem o que você pensa, desde que você deixe que leiam.”
A ansiedade toma o meu corpo por instantes. Logo entendo que é uma escolha minha. Que na verdade já foi feita. Talvez eu nunca tenha tido opção, de fato. Aceito que é o que tenho que fazer. Tomo mais um gole do drinque que me foi oferecido. O corpo aquece, a mente viaja e me sinto vivo. Destravo as últimas amarras que impedem que o meu pensamento seja decifrado por qualquer um que cruze com ele. Dentro ou fora desse salão. As minhas ideias sem mim, não existem; e eu sem elas, muito menos. Hoje eu sei. E quero que saibam também.
* * * *
Sejam bem-vindos ao Escrevinhando. Entrem e fiquem à vontade. A redoma de vidro é translúcida o suficiente para que todos possam dar opiniões, fazer comentários, enfim, se expressarem. O salão é nosso!









E aí, Tiago!
Legal a iniciativa, cara. Parabéns.
Vou passar mais por aqui pra dar uma olhada nesse salão.
Abraço!
Que bacana, menino!
Jamais poderia imaginar uma forma melhor de definir nossa entrada no Portal…
Estamos aqui, nessa redoma translúcida, prontos para deixar que leiam e se deliciem com nossos pensamentos!
E somos muito felizes aqui!
Sempre querendo mais…
Seja muito bem vindo!
Parabéns e sucesso!!
Beijos!!
^^
Muito obrigado pelos elogios. Marcelo, apareça, sim, e deixe sempre seus comentários. Helia, obrigado pela mensagem. É como digo para a Tati: “para o alto e avante!”
Eu poderia ficar horas e horas escrevendo as qualidades do texto do Tiago, mas não farei isso. Lendo esta coluna, a única coisa que penso é: “que pena que o Tiago Velasco só faz textos pra cá duas vezes por mês”. Adoraria te ver aqui semanalmente, Tiago! Forte abraço!
Do lado de fora da redoma ’sinto’ os seus pensamentos e reflito boquiaberta: Que sorte a minha de poder vê-lo daqui! Feliz transparência!
Com olhos arregalados e brilhantes; sorriso escancarado, percebo em mim a vontade de querer ouvir até mesmo a respiração que antecede o seu sentir!
Logo, estou entregue!
Não quero sair de perto dessa redoma!
Ouvidos limpos!
Olhos preparados!
Alma ansiosa!
Vidrex e jornal!
E na mente o pensamento de querer agora me calar; nada mais comentar; pelo simples fato de optar somente reverenciar esse encontro em silêncio!
Até a próxima! Quando as luzes do salão se acender novamente eu estarei daqui pronta para transpor a redoma!
PARABÉNS TIAGO!
ADMIRAÇÃO E ABRAÇOS!
Que texto magnífico! Suas palavras soam muito bem e leva uma mensagem de paz aos nossos corações! Parabéns!
Estarei te acompanhando sempre!
Beijos!
Comente!
Participe e ganhe o livro “Em prosa e verso”!
Participe!
Categorias
Entradas recentes
Comentários recentes
Online
Siga-nos
Orkut
Facebook
Parceiros
Colunistas
Comunidades
Ferramentas
Prosa em Verso
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(…)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
“Trouxeste a chave?”
(Carlos Drummond de Andrade)
mais comentados
contato
Você gostaria de falar algo conosco ou conhecer mais um pouco do Universo P&V?
Aqui está nosso e-mail:
contato@prosaemverso.com.br
Aguardamos ansiosa e muito carinhosamente seu importante contato!