É o fim do papel?
Por Jonny Almeida em Meu papel binário
Estamos percebendo o reflexo do mundo digital na literatura. Primeiro vários escritores passaram de suas máquinas de escrever para o teclado, depois vimos cópias de livros circulando na internet, cada vez mais bem trabalhadas, e agora foi lançado o Kindle, nosso “mp3 dos livros”. Mas será que tomaremos no livro o mesmo rumo dos cds?
Na minha opinião não. O livro está mais para um “instrumento” do que para a “gravação”. O que eu quero dizer com isso: O Kindle ampliou possibilidades, principalmente no ramo acadêmico. Agora, ao invés de um estudante ter que selecionar quais livros de sua área ele carregará para Universidade em busca de realizar seus trabalhos cotidianos, terá a sua disposição cerca de 1.500 livros para consultar ocupando um espaço relativo a uma obra de 100 páginas. Para leitores assíduos de material técnico, jornal, revista e afins é um avanço incomparável. Mas existe algo impossível de ser reproduzido por essa ferramenta: O conforto de possuir em mãos aquele romance ou livro de poesia, com o cheiro de papel, a textura, o gosto de tê-lo apoiado no colo.
Assim como, mesmo com todos os avanços dos reprodutores de instrumentos musicais, um artista nunca abandonará aquele seu confiável violão, um leitor nunca deixará de deliciar seu velho companheiro, com suas páginas amarelando, a sensação gostosa de virar cada página, de poder dar aquela “espiadinha” no que virá, aquele seu antigo marcador de texto com um significado especial.
Acima do saudosismo do LP hoje em dia, o livro físico é uma realidade diferente, para uma situação diferente. Hoje em dia você pode ir em uma discoteca ouvir um DJ reproduzindo seu som digital no seus dias de festa e juntar-se em um delicioso luau com uma roda de viola. Para a correria do dia uma máquina que garantirá a sobrevivência da sua coluna, para ter aquele dia de prazer voando sobre as mágicas palavras do seu autor predileto o bom e velho papel, não parece bom?
É isso, galera, o mundo está mudando, estamos aumentando nossas fontes de adquirir conhecimento e a Bookess segue aqui, ajudando-os a receber a literatura, seja científica ou lírica, por todos os lados. Até a próxima e um grande abraço!









Acho que todos os métodos que tragam cultura às pessoas são válido. Não conhecia o Kindle ainda!
Acho que o prazer do papel é insubstituível, mas eu ainda sou mais um som melancôlico e eletrônico em casa que um luau….rs
Um abraço.
P.S.: Tenho muitos LP’s em casa.
Eu acredito que mesmo com toda a tecnologia que existe, o livro ainda terá seu espaço por aqui. A facilidade da internet, da rede é muito boa, mas não existe nada mais gostoso do que sentir o cheirinho de livro novo e começar a viajar em páginas de papel. è uma delícia tudo isso!!!
Que venha a internet, que venham os livros!!! =)
Abração!!
Concordo com o que você diz no texto…
Pelo menos por enquanto (e espero que por muitos e muitos anos…) o livro tradicional, de papel, tem seu lugar garantido… É mais ou menos como aquela viagem que você pode fazer de carro ou avião, mas prefere ir de trem, devagar, romanticamente apreciando a paisagem… sentindo o vento, o cheiro, as cores, a beleza… tudo bem cadenciado…
Como bem disse o Paulo, toda forma de cultura, que nos faça bem, é válida!!
Beijos!
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Prosa em Verso
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(…)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
“Trouxeste a chave?”
(Carlos Drummond de Andrade)
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